Escola EB 2,3 Nossa Senhora da Luz de Arronches (Arronches)
Escalão: Escalão 2 - Escolas do 2º e 3º Ciclo
Ano de Escolaridade:
7ºano
N.º de Participantes:
29
Páginas do Caderno de Campo:
Registo Fotográfico do desenvolvimento do trabalho:
Apresentação do trabalho:
“Biomas e biodiversidade local”
CADERNO DE CAMPO
DAC: História, Geografia, Eco-escolas e Escolas UNESCO.
Turma: 7ºA
• Indicação do bioma dominante no concelho de Arronches.
• Identificações das formações vegetais locais, e sua biodiversidade, onde se inclui o olival e o montado de sobro e azinho, mediante livros, guias de campo ou recursos online confiáveis (com orientação do professor).
• Aferição da importância socioeconómica e factores históricos, culturais e patrimoniais da floresta mediterrânia.
• Reconhecimento dos principais problemas que afectam a floresta mediterrânea, incluindo do impacto das alterações climáticas.
• Identificar as medidas de preservação e mitigação dos problemas das formações vegetais locais e sua biodiversidade, aportando medidas para a conservação da biodiversidade.
• Elaboração do caderno de campo com um registo com as espécies identificadas:
- Dividir a turma em 5 grupos, cada com 5 alunos.
- Visita aos espaços verdes da escola, à Herdade das Casas da Faias e rio Caia: tirando fotos das espécies animais, vegetais e da geodiversidade (características como: forma das folhas, tipo de caule, flores, frutos, altura, cor, textura etc). Anotação dessas observações num caderno rascunho.
- Identificação das espécies fotografadas mediante o nome científico e nome popular e informações complementares (habitat, importância ecológica, se é nativa ou exótica, uso medicinal, entre outros).
- Criação do “Caderno de Campo Ilustrado”: capa personalizada com o nome do grupo, o índice das espécies, fichas individuais (com: foto da espécie tirada, nome científico e nome popular, características morfológicas, curiosidades e informações adicionais e data e local da observação).
• Apresentação final das principais conclusões a realizar em suporte de Canva (incluindo fotografias e pequenos filmes sobre o trabalho de campo):
- Breve apresentação e identificação das espécies estudadas e respetivo bioma, potencialidades e problemas.
- Divulgação do caderno de campo da turma.
Envolvimento dos alunos:
O objetivo deste projeto visa o desenvolvimento de um caderno de campo da turma, centrado no estudo da biodiversidade da Escola Básica Nossa Senhora da Luz e sua envolvente, incluindo o olival e o montado de sobro e azinho.
A área que ocupa atualmente a escola é maioritariamente composta por amplos edifícios e espaços ao ar livre de cimento e betão, limitando-se os espaços verdes a algumas oliveiras, sendo muito pobre a biodiversidade de centro (Figura 1).
Figura 1- Escola Básica Nossa Senhora da Luz, Arronches
Em relação ao olival há a destacar, que nas últimas décadas, na área em torno ao Perímetro de Rega da Barragem do Caia surgiu um olival intensivo e superintenso, de elevada produtividade e mecanização, muito exigente em água, fertilizantes e energia e com um maior impacto ambiental, patente na redução da biodiversidade e na proliferação de um maior risco de doenças e pragas, devido ao seu carácter de monocultura.
Com este trabalho pretende-se dar a conhecer aos alunos o que é o olival e o montado de sobro e azinho do concelho de Arronches, e a sua grande variedade de espécies — incluindo anfíbios, répteis, aves e mamíferos (algumas seriamente ameaçadas, como a águia-imperial).
Na primeira parte deste estudo os alunos, em sala de aula, realizaram um levantamento bibliográfico sobre o olival e montado de sobro azinho, aferindo o seu potencial ambiental, económico e antropológico, bem como quais os problemas destas estruturas arbóreas, procurando encontrarem as soluções científicas.
A participação da disciplina de História e do programa Escolas Unesco decorre do contexto histórico e antropológico inerente à formação deste sistema agro-pastoril, e como o mesmo transformou as paisagens e as práticas agrícolas e florestais do sudoeste da Península Ibérica durante séculos.
Este projeto insere-se no Eco-Escolas, especialmente no estudo da biodiversidade.
Este trabalho está também a ser desenvolvido no âmbito da DAC, em parceria com História, e no âmbito das Escolas UNESCO.
Após um trabalho de recolha e tratamento de informação, em contexto de sala de aula, foi realizado um trabalho de campo que decorreu na Herdade Casas das Faias, a 4,9 km da sede do concelho de Arronches, um espaço marcado maioritariamente por montado de azinho e algum de sobro, e onde se desenvolve um sistema agro-silvo-pastoril associado à produção de porco ibérico e de gado bovino (Figura 2)
Figura 2 – Herdade das Casas das Faias, Montado de Sobro e de Azinho
Neste estudo, participaram 29 alunos da turma A do 7.º ano, desenvolvendo as aprendizagens essenciais da disciplina de Geografia, nomeadamente clima, formações vegetais e respetivos biomas (floresta mediterrânea).
Assim, os alunos deslocaram-se a esta herdade das Casas da Faia para desenvolverem um trabalho de campo baseado na recolha de informação em desenho e escrita em bloco de notas e no registo fotográfico. Foram analisadas diversas espécies arbóreas, arbustivas, herbáceas e a vida animal, fundamentais para entender a importância atual e a necessidade de perpetuar este sistema agro-silvo-pastoril mediterrâneo — com possível candidatura à UNESCO.
Recebidos pela proprietária da herdade, Engenheira Agrónoma Maria João Palmeiro da Silva, os alunos constataram que os montados de sobro e azinho são, locais privilegiados para observar a biodiversidade mediterrânica, albergando uma enorme variedade de fauna e flora, incluindo muitas aves.
A Herdade das Casas da Faia é um sistema de mosaico de culturas, onde observamos o pastoreio extensivo (vacas e porco ibérico).
Do sobreiro decorre a produção da lande e a extracção de cortiça, sabendo os alunos que Portugal é o maior produtor mundial de cortiça.
As azinheiras produzem bolotas para a alimentação de alta qualidade do porco ibérico resultando derivados de excelência.
De facto, para além da sua relevância ambiental, este sistema sustenta um conjunto de atividades económicas e produtos de alta qualidade, como a cortiça e os derivados do porco ibérico ou bovino.
Um sistema que inclui a produção de cogumelos, apicultura e atividades turísticas - turismo de natureza e rural.
Esta herdade é constituída por sobreiros e azinheiras, associados a arbustos e sub-bosques como o medronheiro, a esteva, a murta, a madressilva e, sazonalmente, flores como os malmequeres.
Os alunos percorreram as pastagens naturais compostas por gramíneas (erva-lã) ou leguminosas (trevo subterrâneo e trevo roxo, mais adaptados a solos com pH ácido) constatando a sua importância para a fixação biológica de azoto, a alimentação do gado e maior biodiversidade, em harmonia com as práticas agrícolas tradicionais.
Decorrendo esta visita na primavera, os alunos tiveram ainda a oportunidade de conhecer uma grande multiplicidade de espécies herbáceas silvestres, aromáticas e medicinais, como alfazema, lírios, rosmaninho, alecrim, poejo, hortelã-brava, entre outras, e que servem de apoio à biodiversidade, potencializada pela existência de insectos polinizadores.
Existe um conjunto de matagais que servem de refúgio a uma ampla fauna e consolidam a estrutura do solo, que foram desenhados com detalhe pelos alunos.
No entanto, discutiu-se com os alunos a problemática das plantas invasoras — como os cardos e silvas —, em especial em contextos de seca e abandono de terras.
As silvas e estevas são um "tapete" impenetrável que pode impedir a germinação da bolota e o crescimento das novas plântulas. O mato denso oferece refúgio a predadores de bolotas e plântulas. As espécies invasoras reduzem a disponibilidade de pastagens para o gado. Silvados densos dificultam o descortiçamento dos sobreiros.
A proliferação de espécies arbustivas e herbáceas invasoras contribuem também para uma competição hídrica e de nutrientes essenciais, que agravam o stress hídrico e pode conduzir à morte das árvores. Um limitado crescimento do sobreiro e da azinheira, conduz ao encerramento dos seus estomas, resultando numa menor assimilação de carbono, menor crescimento e redução da área foliar.
No meio das pastagens, constatou-se que o pisoteio animal deve ser gerido (evitando a permanência prolongada) para evitar a compactação do solo. Da mesma forma, a utilização de máquinas agrícolas ou práticas deficientes na sua mobilização, como lavouras profundas, podem causar uma forte compactação do solo, reduzindo o crescimento radicular e a capacidade de infiltração/absorção de água. De uma má gestão do solo resulta uma menor produtividade e fragiliza o montado de sobro e azinho.
Confirmou-se com esta saída de campo (embora com uma dimensão tão ampla como noutras regiões) que se regista algumas pragas e doenças neste montado de sobro e azinho, nomeadamente agentes patogénicos, o Plátipo (Platypus cylindrus), a Cobrilha da Cortiça (Coroebus undatus) e a Phytophthora cinnamomi (causadora da morte súbita de sobreiros).
Estas ameaças ao montado de sobro e azinho traduzem-se na sua perda de vigor, tendo como consequência um aumento da morte de sobreiros e azinheiras, facto que que marca cada vez mais a paisagem do Alentejo.
Os alunos tomaram conhecimento que as alterações climáticas têm vindo a provocar um maior stress ambiental, com secas prolongadas que afetam o montado. Existe uma falta de regeneração natural do montado, com poucas árvores jovens a serem plantadas nestes montados.
Neste âmbito, é fundamental assegurar o equilíbrio entre a pecuária intensiva com a cada vez mais necessária regeneração natural do montado de sobro, com vista a uma melhoria do solo e à redução da competição entre espécies.
Os alunos constaram que para tal é necessária uma intervenção biotécnica, como a implementação de armadilhas de controlo para insetos xilófagos ou técnicas de mitigação da Phytophthora. Adicionalmente, o descortiçamento deve ter um impacto reduzido, focando-se na estrutura da copa e na redução da intensidade das extrações (altura da cortiça).
De referir que este montado de sobro e de azinho, é atravessado pelo rio Caia — que nasce na Serra de São Mamede e cruza o território concelhio de Arronches antes de desaguar no Guadiana, perto de Elvas, conhecendo os alunos uma maior biodiversidade, através de espécies piscícolas como o achigã, carpa-pimpão ou alburno, este último como espécie invasora. Em torno deste rio Caia existe ainda o cágado-mediterrânico ou do cágado-mourisco. Finalmente existe uma maior geodiversidade patente nos afloramentos de micaxistos granatíferos, xistos com intercalações de quartzitos negros, calcários e gnaisses anfibólicos.
Por fim, ainda neste caminho pela biodiversidade em torno da Escola Básica Nossa Senhora da Luz, os alunos tomaram ainda conhecimento que o rio Caia tem um regime torrencial, com variações intensas de caudais, de onde decorrem fenómenos de mortalidade por falta de oxigénio, acentuados no verão, e das descargas orgânicas. Mortandade também resultante das atividades agrícolas, pecuária intensiva e descargas de lagares de azeite.
De retorno à sala de aulas, os alunos desenharam as espécies florestais, arbustivas e herbáceas, bem como animais, que servirão à constituição do caderno de campo da turma, para posterior apresentação na página da Escola Básica Nossa Senhora de Luz.
Enquadramento curricular e extracurricular:
Geografia
Tema: Biomas associados aos climas temperados
- Reconhecer a zonalidade dos climas e biomas, utilizando representações cartográficas (em suporte papel ou digital)
- Identificar as formações vegetais dominantes e sua biodiversidade.
- Descrever impactes da ação humana na alteração e ou degradação de ambientes biogeográficos, a partir de exemplos concretos e apoiados em fontes fidedignas.
- Sensibilizar a comunidade para a necessidade de uma gestão sustentável do território.
História - Conhecer a origem histórica e impacto económico dos sistemas agro-silvo-pastoris que marcam a paisagem agrária local
Divulgação:
Publicação do Caderno de Campo resultante do conjunto da turma na página do Agrupamento de Escolas de
