Escola Sec. D. Sancho I (Vila Nova de Famalicão)
Escalão: Escalão 3 - Secundário, Profissional e Superior
Ano de Escolaridade:
8º ano; 10º ano; 12º ano.
N.º de Participantes:
107 alunos + 6 professores = 113 participantes
Páginas do Caderno de Campo:
Registo Fotográfico do desenvolvimento do trabalho:
Apresentação do trabalho:
1. Introdução
1. Objetivos do Caderno de Campo
O projeto “A Biodiversidade da Minha Escola” insere-se no âmbito do Clube Ciência Viva da Escola Secundária D. Sancho I em parceria com a Equipa Eco-Escolas e constitui o culminar de vários anos de trabalho pedagógico dedicado à preservação e à recuperação de ecossistemas. Este projeto assume o charco pedagógico e os espaços verdes escolares como locais privilegiados de aprendizagem, investigação e sensibilização ambiental, proporcionando aos alunos o contacto direto com os ecossistemas e com a biodiversidade nela existente. Através de atividades práticas e experimentais — como a observação, a recolha e análise de dados e a divulgação de resultados em meios digitais — pretende-se promover a curiosidade científica, o espírito crítico e uma aprendizagem ativa e significativa.
O Caderno de Campo é apresentado em formato digital e tem como finalidade valorizar e comunicar a biodiversidade existente na Escola, bem como, envolver ativamente a comunidade educativa na sua preservação, fomentando atitudes de responsabilidade ambiental e cidadania científica.
2. Importância da Biodiversidade
A biodiversidade desempenha um papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas e no bem-estar humano, contribuindo para a qualidade do ambiente, para a saúde e para a qualidade de vida das populações. A sua valorização, desde contextos locais como o espaço escolar, permite compreender a interdependência entre os seres vivos e o meio, reforçando a importância da sua conservação e do uso sustentável dos recursos naturais.
3. Ameaças Atuais
O projeto procura ainda sensibilizar a comunidade educativa para os impactos da ação humana, nomeadamente das alterações climáticas, na degradação dos ecossistemas e na perda de biodiversidade, sobretudo no que diz respeito às zonas húmidas. Ao estabelecer a relação entre estas mudanças ambientais e os seus efeitos na vida humana, promove-se uma consciência crítica e responsável, alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em particular a Educação de Qualidade e a Proteção da Vida Terrestre, em consonância com a Agenda 2030.
2. Caracterização da escola
1. Localização da escola
A Escola Secundária D. Sancho I localiza-se em Vila Nova de Famalicão, no distrito de Braga, região do Minho. Inserida num contexto urbano, a escola distingue-se pela integração harmoniosa entre os edifícios escolares e amplos espaços exteriores, que contribuem para a valorização ambiental do espaço educativo.
2. Descrição dos espaços verdes
Os espaços verdes da escola incluem relvados, árvores de grande porte, arbustos, canteiros floridos e zonas com plantas espontâneas. Estes espaços funcionam como habitats naturais para diversas espécies animais e vegetais, nomeadamente insetos polinizadores (como abelhas e borboletas), pequenos vertebrados (como lagartixas) e várias espécies de aves que encontram abrigo e alimento nas copas das árvores e nos arbustos. A presença de plantas ornamentais e nativas contribui para a diversidade biológica, para a estética do espaço e para a observação da biodiversidade ao longo do ano.
3. O charco da escola
Um dos elementos mais relevantes na promoção da biodiversidade da escola é o charco pedagógico, construído em 2023. Este constitui o principal núcleo de biodiversidade do espaço escolar, funcionando como um ecossistema aquático de grande valor. A presença de água permanente atrai uma variedade de seres vivos, como anfíbios, insetos aquáticos, plantas aquáticas e micro-organismos essenciais para o equilíbrio ecológico. O charco permite a observação direta de ciclos de vida, interações ecológicas e adaptações dos organismos, sendo um recurso pedagógico fundamental para o estudo dos ecossistemas.
4. A horta pedagógica
A escola dispõe ainda de uma horta pedagógica onde os alunos desenvolvem projetos de educação ambiental e de promoção de uma alimentação saudável. Através do contacto direto com o cultivo de plantas, os alunos adquirem conhecimentos sobre os ciclos naturais, as interações entre os seres vivos, a sustentabilidade e a importância do cuidado com o meio ambiente.
5. Condições ambientais (água, luz, clima)
As condições ambientais de Vila Nova de Famalicão são características de um clima temperado atlântico, com invernos suaves e húmidos e verões moderadamente quentes, favorecendo o desenvolvimento de uma grande diversidade de espécies vegetais. O solo dos espaços verdes é rico em matéria orgânica, resultante da decomposição de folhas e detritos vegetais, proporcionando boas condições para o crescimento das plantas e para a atividade de micro-organismos. A disponibilidade de luz solar varia consoante os espaços, existindo zonas abertas com exposição direta ao sol e áreas arborizadas que criam microhabitats mais sombreados. O acesso à água é assegurado pela precipitação frequente da região e por rega ocasional, garantindo os recursos hídricos necessários à manutenção da vegetação.
3. Metodologia de trabalho
A investigação e documentação da biodiversidade da escola envolveu uma fase inicial de planeamento e de articulação entre os docentes, na qual foram definidos os objetivos específicos do caderno de campo e selecionados diferentes locais do recinto escolar para observação de seres vivos. Foi também estabelecida a distribuição das turmas envolvidas pelos diferentes habitats e categorias de seres vivos a catalogar e estudar. Assim, as turmas 801, 1001, 1002, 1201 e 1202 ficaram responsáveis pela investigação e documentação das plantas cultivadas, plantas aquáticas, animais invertebrados, seres vivos microscópicos e árvores/arbustos, respetivamente. Durante o ano letivo 2025-2026 foram identificados e documentados 4 microrganismos; 13 árvores e arbustos; 7 plantas cultivadas; 6 plantas aquáticas; 17 insetos ou outros invertebrados; e 1 vertebrado.
O trabalho prático de observação e investigação dos seres vivos foi desenvolvido no âmbito das disciplinas de Ciências Naturais, no ensino básico, ou Biologia e Geologia, no ensino secundário, sob coordenação dos respetivos professores.
No âmbito do Clube Ciência Viva, participaram também neste projeto alunos de outras turmas, contribuindo para a recolha e registo de dados.
O projeto “A Biodiversidade da Minha Escola” é um projeto aberto no tempo que terá continuidade nos próximos anos letivos com o objetivo de inventariar toda a biodiversidade da escola.
3.1. Métodos de recolha de dados
A recolha de dados foi realizada através da observação direta dos seres vivos nos diferentes espaços naturais da escola. Sempre que possível, foram efetuados registos fotográficos e anotações no caderno de campo, incluindo informações como a identificação de espécies, características observáveis, localização e data da observação.
Foram também utilizados métodos de recolha específicos, como a observação com lupa ou microscópio no caso dos seres vivos de menores dimensões e a identificação de plantas e animais com recurso a guias ou outras fontes de apoio.
3.2. Materiais utilizados
Durante a realização deste trabalho foram utilizados diversos materiais de apoio à observação e registo, nomeadamente:
Caderno de campo;
Material de escrita;
Dispositivos móveis para registo fotográfico;
Lupas e microscópios;
Guias práticos de identificação de espécies;
Pipetas de Pasteur;
Placas de Petri.
Envolvimento dos alunos:
No ano letivo 2025-2026 o projeto “A Biodiversidade da Minha Escola” envolveu 107 alunos de várias turmas sob coordenação dos respetivos professores das disciplinas de Ciências Naturais (8º ano), Biologia e Geologia (10º ano) e Biologia (12ºano):
Turma 8º01 – 20 alunos (professora Joana Esteves);
Turma 10º01 – 20 alunos (professora Cecília Pinto);
Turma 10º02 – 25 alunos (professora Helena Rego);
Turma 12º01 – 6 alunos (professora Maria José Sá);
Turma 12º02 – 27 alunos (professora Conceição Ferreira).
Participaram ainda no projeto 9 alunos de outros anos de escolaridade (7º ano e 9º ano) que, no âmbito do Clube Ciência Viva, se voluntariaram para colaborar no projeto, quer através da elaboração de ilustrações dos seres vivos, quer através da observação de seres vivos e do seu estudo.
Enquadramento curricular e extracurricular:
O projeto “A Biodiversidade da Minha Escola” foi desenvolvido no âmbito das disciplinas de Ciências Naturais (8º ano), Biologia e Geologia (10º ano) e Biologia (12º ano).
Todo o trabalho dos alunos foi desenvolvido em contexto de aula, envolvendo saídas de campo para o espaço exterior da escola e, posteriormente, no laboratório, a observação detalhada para caracterização e identificação dos seres vivos observados.
Foram implementadas ações estratégicas orientadas para o Perfil dos Alunos, nomeadamente, tarefas de pesquisa sustentada por critérios rigorosos, organização e registo de observações, incentivo à procura, aprofundamento, seleção e validação da informação utilizando fontes credíveis (guias práticos de identificação das espécies). O trabalho de pesquisa e a elaboração da Ficha do Ser Vivo foram efetuados com recurso às tecnologias digitais, o que possibilitou a integração de saberes prévios para a construção de novos conhecimentos.
Na disciplina de Ciências Naturais (8º ano), o projeto foi desenvolvido no âmbito do tema organizador “Sustentabilidade na Terra” e permitiu explorar os ecossistemas, as cadeias tróficas e as interações entre as espécies.
Na disciplina de Biologia e Geologia (10º ano), o projeto foi desenvolvido principalmente no âmbito do domínio organizador “Biodiversidade”, permitindo relacionar a diversidade biológica e a dinâmica dos ecossistemas (interações bióticas/ abióticas, extinção e conservação de espécies).
Na disciplina de Biologia (12º ano), o projeto foi desenvolvido principalmente no âmbito do domínio organizador “Preservar e Recuperar o Ambiente”, através da dinamização atividades práticas e intervenções de cidadania responsável orientadas para promover a biodiversidade e a preservação dos recursos biológicos.
A criação de ilustrações científicas dos seres vivos permitiu trabalhar a sensibilidade estética e artística, integrando o saber técnico e o saber científico das áreas de Educação Visual e Ciências Naturais, respetivamente. Os alunos foram desafiados a representar os organismos com fidelidade, respeitando proporções e detalhes e aplicando técnicas de ilustração científica.
Algumas das “Fichas dos Seres Vivos” foram trabalhadas extracurricularmente durante as sessões práticas do Clube Ciência Viva. Estas sessões realizadas em laboratório e supervisionadas por um docente de Ciências Naturais possibilitaram o envolvimento voluntário de alunos de outras turmas do 3º ciclo.
Divulgação:
O projeto “A Biodiversidade da Minha Escola” foi amplamente divulgado junto da comunidade educativa ao longo do ano letivo, destacando-se como principal momento de divulgação a exposição digital, num ecrã gigante, realizada no dia 22 de maio, no átrio de entrada da escola, para assinalar o Dia Mundial da Biodiversidade. Esta exposição permaneceu patente nos dias seguintes e apresentou, em formato digital, todas as fichas de identificação dos seres vivos elaboradas pelos alunos no âmbito do projeto. O trabalho exposto despertou grande interesse e curiosidade entre alunos, professores, assistentes operacionais e restantes visitantes da escola, contribuindo para sensibilizar toda a comunidade para a importância da biodiversidade existente nos espaços exteriores da escola. A divulgação de uma notícia nas redes sociais (Facebook e Instagran) contribuiu para ampliar o alcance das iniciativas e envolver diferentes públicos de forma apelativa, interativa e abrangente.
Paralelamente, o desenvolvimento do projeto foi sendo divulgado de forma contínua no Clube Ciência Viva, cuja sala se mantém aberta a todos os interessados em horários definidos. Neste espaço, os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer o trabalho já realizado e de participar ativamente na pesquisa e identificação de novas espécies, sobretudo durante os workshops “Meteste o Pé no Charco”.
O projeto “A Biodiversidade da Minha Escola” foi também apresentado nos terceiro e quarto Conselhos Eco-Escolas que se realizaram nos dias 10 de fevereiro e 27 de maio, respetivamente, conforme registo efetuado nas respetivas atas.
Ao longo do ano letivo, para além da comunidade escolar, o Clube Ciência Viva recebeu também alunos e professores de diversas escolas europeias no âmbito de intercâmbios Erasmus+. Estes convidados participaram com grande entusiasmo nos workshops dinamizados, conhecendo o projeto e contribuindo para a sua divulgação a uma escala internacional. Desta forma, o projeto “A Biodiversidade da Minha Escola” promoveu não só o conhecimento científico e a valorização do património natural da escola, como também reforçou a partilha de boas práticas educativas junto de diferentes públicos.
O caderno de Campo digital “A Biodiversidade da Minha Escola” da escola secundária D. Sancho I pode ser consultado, na integra, no link:
https://drive.google.com/file/d/1rjOsYfp1Fyyw-8CYUo7G1G0tisWeThFs/view
As publicações nas redes sociais podem ser consultadas nos seguintes links:
https://www.facebook.com/photo?fbid=1551046723687605&set=pcb.1551046767020934&locale=pt_PT
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