Escola Básica da Quelha (Santo Tirso)
Escalão: Escalão 1 - Jardins de Infância e Escolas do 1º Ciclo
Ano de Escolaridade:
Pré-escolar
N.º de Participantes:
16
Páginas do Caderno de Campo:
Registo Fotográfico do desenvolvimento do trabalho:
Apresentação do trabalho:
O projeto A Biodiversidade da Minha Escola, que foi desenvolvido com o grupo da educação pré-escolar, foi planeado de forma flexível e integrada, articulando-se ao longo do ano letivo com todas as atividades diárias. A implementação estruturou-se em quatro grandes momentos de investigação, todos eles desencadeados pelo interesse natural das crianças durante as vivências no espaço exterior e na horta pedagógica. A primeira grande descoberta dedicou-se ao mundo das plantas e iniciou-se com a exploração de uma história sobre a germinação, seguida da análise de um cartaz informativo onde as crianças identificaram a constituição das plantas, as suas características e os seus diferentes habitats. A transição para o terreno fez-se de forma prática com a remoção de uma erva daninha no jardim, o que permitiu a observação direta das raízes e a existência inesperada de minhocas no solo. Para responder às dúvidas que surgiram no grupo, dinamizaram-se várias experiências científicas em momentos distintos. Realizou-se uma experiência sobre a absorção da água através da colocação de rosas em água com corante, permitindo ver as pétalas a mudarem de cor, e outra sobre os fatores essenciais à sobrevivência, na qual se comparou o comportamento de plantas sujeitas a diferentes condições de luz e água. Paralelamente, decorreu a experiência de germinação do feijão, em que as crianças acompanharam diariamente a criação da raiz e o crescimento do caule, regando as plantas até ao momento em que as transplantaram para a horta da escola. O grupo esteve no recreio para observar a flora escolar, selecionando e fotografando algumas espécies que tinham interesse. Com o auxílio de aplicações digitais de identificação projetadas no quadro interativo, as crianças reuniram a informação necessária e iniciaram os primeiros registos no caderno de campo. Como as minhocas tinham despertado um enorme entusiasmo inicial, a segunda etapa de exploração focou-se neste animal. O grupo começou por construir um minhocário na sala e utilizou lupas para uma primeira observação. Foi realizada uma experiência em três etapas, concebida para perceber as preferências das minhocas relativamente à luz ou sombra, a ambientes húmidos ou secos, e à temperatura ideal. As crianças registaram num cartaz dinâmico o que já sabiam sobre minhocas através de explorações anteriores, o que aprenderam com as experiências e o que ainda queriam saber. Para responder a essas últimas inquietações, o grupo explorou um cartaz informativo focado neste animal e registou as novas aprendizagens no cartaz de registo. Mais tarde, o aparecimento espontâneo de um caracol na alface da horta escolar deu origem ao terceiro momento de investigação. Foi criado um caracolário na sala e as crianças recorreram outra vez às lupas para a observação. Para complementar a pesquisa, visualizaram microimagens de caracóis em vídeos, que revelaram detalhes impossíveis de ver a olho nu, e consultaram enciclopédias temáticas que forneceram dados específicos sobre a espécie. O foco do grupo acabou por se direcionar para a geometria da concha, motivando as crianças a pensar noutros objetos e elementos que também possuem uma espiral. Esta reflexão artística e matemática culminou na realização de várias experiências plásticas utilizando diferentes suportes. O quarto momento de aprendizagem surgiu a partir de uma atividade sensorial no recreio, onde a escuta ativa do cântico de um pássaro no telhado serviu de ponto de partida para a exploração. O grupo envolveu-se na construção de duas casas de pássaros com comedouro e bebedouro integrados, que foram instaladas nas árvores da escola para apoiar a fauna local. Realizaram atividades de exploração das várias características dos pássaros, nomeadamente tamanho, cores, formas do bico, formas das patas, vocalizações e comportamentos. Com o auxílio de binóculos, as crianças passaram a observar as aves que visitam o recreio e, perante o aparecimento de uma ave em particular, analisaram detalhadamente as suas características físicas até deduzirem a sua espécie exata, efetuando o respetivo registo ilustrado e fotográfico no caderno de campo. De forma a garantir uma aprendizagem holística e com continuidade ao longo de todo o ano letivo, todas as atividades ligadas à fauna e à flora da escola foram interligadas com outras áreas curriculares, englobando a expressão artística, a matemática e as competências de linguagem e comunicação. Esta abordagem contínua reflete-se na autonomia atual das crianças, que continuam a demonstrar um interesse espontâneo pelos animais que vão surgindo no recreio, como joaninhas, lagartixas ou gafanhotos, originando pequenos momentos diários de observação e exploração.
Envolvimento dos alunos:
O envolvimento ativo das crianças foi o verdadeiro motor de todo o projeto. As crianças assumiram o papel de investigadores e foram as protagonistas partindo sempre da sua curiosidade espontânea. Os alunos participaram em absoluto em todas as etapas do processo, realizaram as observações de campo com lupas e binóculos, capturaram as fotografias no recreio e na horta, e elaboraram as ilustrações e registos textuais para o caderno de campo. A sua autonomia foi tão marcante que foram as próprias crianças que impulsionaram o aparecimento de novos temas e criaram novas atividades. Construíram o minhocário e o caracolário na sala, idealizaram as casas e comedouros para os pássaros, e formularam e executaram as atividades experimentais. Este papel ativo transformou o grupo num coletivo de pequenos cientistas, cuja motivação e autonomia se mantêm vivas diariamente na exploração e proteção da biodiversidade da escola.
Enquadramento curricular e extracurricular:
O projeto inseriu de forma holística as áreas de Conhecimento do Mundo (através do método científico, experiências práticas e sensibilização ecológica), Expressão e Comunicação (domínios da linguagem oral e abordagem à escrita no caderno de campo, matemática na exploração das espirais e contagens, e expressões plástica e musical com diferentes atividades complementares), e Formação Pessoal e Social (no desenvolvimento da autonomia e cooperação em grupo). A nível extracurricular, o projeto integrou-se ativamente no programa Eco-Escolas. Além disso, estendeu-se para além do contexto escolar, promovendo o envolvimento das famílias e da comunidade educativa.
Divulgação:
A divulgação do projeto e a partilha do conhecimento com a comunidade educativa foram asseguradas através de duas formas. O livro de registo foi digitalizado e publicado num site disponibilizado a todas as famílias, partilhado numa publicação na página oficial do agrupamento e o caderno de campo original foi exposto de forma acessível na entrada do estabelecimento de ensino, permitindo que todos os familiares e encarregados de educação pudessem manusear e observar o trabalho realizado pelas crianças.
Link para o livro digital:
https://www.canva.com/design/DAHKaHHP9Uo/D08v8xlEUF_UspJPQ2m6Hw/view?utm_content=DAHKaHHP9Uo&utm_campaign=designshare&utm_medium=link&utm_source=viewer
Link para a publicação na página do agrupamento:
https://www.facebook.com/share/p/1D1hRJQoF9/?mibextid=wwXIfr
