Escola EB 2,3 /Sec. Santo António (Barreiro)
1. Área a intervencionar
A) Localização da escola em imagem satélite (Google Maps):
B) Identificação da área selecionada em imagem satélite (Google Maps):
C) Área total do espaço exterior da escola (m²):
13371
D) Área do espaço a intervencionar (m²):
60 (50 de plantação)
E) Forma da área (quadrada, retangular, circular, irregular, entre outras):
Retangular
F) Uso atual da área:
Descampado/Não utilizada
G) Existência de acesso a ponto de água:
Existe ponto de água a poucos metros
H) Descrição do estado atual do espaço:
Tipo de solo: arenoso; Sem pavimentação; Com vegetação Máquis do tipo Mediterrânica; sem sistema de rega, mas com ponto de água com ligação a mangueira perto; próximo da horta biológica da escola.
2. Justificação da floresta Miyawaki na escola
A) Razões que motivam a escola a implementar uma floresta Miyawaki:
Numa escola que está inserida num território escolar de intervenção prioritária (TEIP), os desafios vão além da aprendizagem formal. No quotidiano da comunidade escolar, verificam-se carências socioeconómicas, elevado absentismo e falta de espaços verdes de qualidade.. É neste contexto que a implementação de uma floresta Miyawaki se apresenta como uma resposta inovadora, ecológica e profundamente social.
A decisão de plantar uma floresta Miyawaki na nossa escola assenta em três razões principais. Primeiramente, a necessidade de regenerar solos degradados e criar um espaço natural denso e resiliente numa área urbana desfavorecida. Por outro lado, a obtenção, em poucos anos, de uma floresta autossustentável, uma mais-valia para comunidades que necessitam de resultados visíveis e a curto prazo. Por último, o processo de plantação e manutenção envolve toda a comunidade escolar de forma ativa, funcionando como uma ferramenta de coesão social, capacitação e literacia ecológica.
B) Importância da plantação de espécies nativas:
Na construção de uma floresta Miyawaki, a escolha de espécies nativas é o alicerce. As plantas autóctones, por terem evoluído ao longo de milénios em harmonia com o clima, solo e fauna local, exigem menos água que outras espécies, não necessitando de fertilizantes sintéticos e oferecem uma resistência natural a pragas e doenças. Sendo assim, numa escola onde os recursos financeiros são limitados, a resiliência destas espécies traduz-se em baixos custos de manutenção a médio e longo prazo. Para além do benefício financeiro, espécies nativas criam habitats para insetos polinizadores, pequenos mamíferos e aves, reconstruindo a biodiversidade local, permitindo, do ponto de vista pedagógico, trabalhar a identidade territorial e a história natural da região.
Explicite cada uma das opções assinaladas em c):
De entre os diversos benefícios que uma floresta Miyawaki proporciona, tendo em conta o contexto da nossa escola, destacam-se os seguintes: a promoção da biodiversidade e a melhoria das condições de aprendizagem.
Ao plantar uma variedade de espécies nativas, é possível transformar um terreno empobrecido num pequeno ecossistema florestal, atraindo diversos animais que tanto polinizam, como controlam pragas. Isto permite que os alunos e a restante comunidade escolar observem o regresso da biodiversidade à escola, aprendendo que é possível restaurar ecossistemas locais, com a construção de um laboratório vivo de ciência cidadã.
A criação de uma floresta densa na escola reduz o ruído da rua, permite criar sombra natural e diminui as ilhas de calor do espaço exterior. O contacto com espaços verdes reduz, também, o stress e os comportamentos disruptivos e melhora a concentração dos alunos. Numa escola onde existem vários alunos inseridos em contextos familiares instáveis, um pequeno bosque onde possam ler, conversar e relaxar promove a equidade entre todos.
D) Reflexão sobre a longevidade das florestas Miyawaki e o futuro da floresta no contexto escolar:
Tendo em conta a longevidade das florestas Miyawaki, que, uma vez estabelecidas, se tornam autossustentáveis e resilientes, ao serem desenvolvidas em contexto escolar, passarão a ser um marco para toda a comunidade escolar. No entanto, irá depender da apropriação pela comunidade. A floresta terá de ser desenvolvida, não como uma “tarefa escolar”, mas sim como um projeto a longo curso. Desta forma, terá de haver uma estratégia de continuidade: envolver alunos mais velhos para formação dos alunos mais novos sobre a manutenção da floresta; educar a comunidade educativa para a preservação ambiental. A longo prazo, esta pequena floresta pode tornar-se um legado intergeracional, recordando a cada interveniente da comunidade educativa que o investimento na natureza é um investimento na sua própria dignidade e futuro.
3. Equipa responsável
A) Importância da existência de uma equipa dedicada ao projeto:
A criação de uma Floresta Miyawaki na nossa escola não é um evento isolado, mas sim o início de um ecossistema dinâmico. Para que este projeto atinja o seu potencial máximo, a existência de uma Equipa Dedicada é o fator determinante entre um jardim temporário e uma floresta resiliente.
O método Miyawaki exige um acompanhamento rigoroso, especialmente nos primeiros 24 a 36 meses. A Equipa Dedicada será responsável pela monitorização, fazendo a gestão da rega e manutenção da camada de cobertura de solo (mulching), essenciais para a sobrevivência das espécies nativas, garantindo que o esforço logístico e financeiro aplicado na criação desta floresta se traduza no seu crescimento e longevidade.
A equipa terá um papel fundamental na preparação da comunidade através da realização de duas sessões de sensibilização estratégicas:
- Primeira Sessão (Consciencialização): Explicar por que razão a nossa escola precisa de um "pulmão verde" e como a floresta funcionará como um regulador térmico natural do nosso recreio.
- Segunda Sessão (Capacitação e Pertença): Uma sessão prática sobre as espécies escolhidas e a técnica de plantação. Esta preparação garante que o dia da plantação seja organizado, seguro e tecnicamente eficaz.
Uma equipa dedicada oferece ao projeto a memória e a continuidade que uma instituição escolar exige. Enquanto a floresta estabiliza o solo e captura carbono, a equipa estabiliza o compromisso da escola com a sustentabilidade, garantindo que este legado verde passe de geração em geração de alunos.
B) Número e identificação dos elementos envolvidos (docentes, alunos, funcionários, outros):
Professores (5): Mariana Melo, Norberto Fernandes, Sónia Pina, Elsa Martinho, Filipe Raivel
Alunos (4): Miguel Marques, Líria José, Maria Silveira e Miguel Guerreiro
Funcionários (2): Manuel Fortes e Mário Pires
C) Identificação da pessoa responsável pela articulação com a Associação Reforest:
Mariana Melo
D) Referência a grupos escolares já existentes com intervenção na área ambiental:
Não existem
4. Comunidade Escolar
A) Indicação da data considerada mais adequada para a plantação, tendo em conta o calendário escolar e o período preferencial definido:
23 de Novembro de 2026 - Dia da Floresta Autóctone
5. Recursos e Avaliação
A) Identificação de parceiros locais e respetivo papel no projeto:
Nativawaky: Prestação de serviço de consultoria, com foco no Método Miyawaki e plantação de Minifloresta Miyawaki.
Amarsul: Fornecimento de 1000 kg de composto para o solo.
Câmara Municipal do Barreiro: Empréstimo de Autocultivadora.
B) Recursos financeiros, humanos e materiais previstos:
Recursos humanos previstos: 40 pessoas (adultos e alunos de várias turmas)
Recursos materiais previstos:
- Plantas: Morango-silvestre, Codesso-de-flores-grandes, Jacinto-dos-campos, Rosa-albardeira, Pervinca, Prunela, Arrudão, Betónica-da-Alemanha, Roselha grande, Esteva, Sargaço, Tojo molar, Pascoinhas, Alfazema, Loendro, Rosmaninho/alecrim, Medronheiro, Murta, Aroeira, Pilriteiro, Loureiro, Pereira-brava, Tamargueira, Sobreiro, Carvalho-português, Azinheira, Carvalho-de-Monchique, Zambujeiro, Alfarrobeira, Freixo, Madressilva.(dependente de disponibilidade nos viveiros à data da plantação).
- Composto para solo
- Fardos de palha
- Tutor de bambú
- Fio de algodão
- Etiquetas
- Material de trabalho (enxadas, pás, regador, mangueira, luvas…)
Recursos financeiros previstos (3487,06€):
- Formação (pré e pós plantação) sobre Método Miyawaki, plantação, manutenção e monitorização da Minifloresta - 1000 €
- Aquisição de plantas e transporte para a escola: 1.089,11€
- Transporte de composto para a escola: 113,05€
- Fardos de palha e transporte para a escola: 133,95€
- Tutor de bambú e transporte para a escola: 72€
- Fio de algodão: 5,99€
- Equipamento para jardinagem: 10 Foices de jardim (199,90€), 4 foices com serra (227,80€), 4 enxadas (110,36€), 4 enxadas com bico (121,96€), 4 conjuntos de jardinagem (109,92€)
- Mangueira 50m: 49,99€
- Etiquetas: 38,33€
- Canetas de acetato: 10,90€
- 20 Luvas de jardinagem em pele: 203,80€
C) Identificação de dificuldades ou riscos associados à implementação do projeto:
Existem várias dificuldades relacionadas com a implementação deste projeto:
- Preparação do solo: como não temos disponíveis máquinas de escavação, será necessário mais esforço físico para escavar o solo;
- Regas durante as férias: a equipa responsável terá de elaborar um cronograma específico para a rega da floresta durante as férias escolares;
- “Vandalismo”: como não existe uma cerca na zona da floresta, esta poderá sofrer atos de vandalismo involuntário. No entanto, na horta biológica que existe na escola, ainda não se verificaram tais atos;
- Gestão de ervas daninhas e pragas: tal como nas regas, a equipa responsável terá de se organizar para garantir que não há o crescimento de ervas daninhas nem infestação por pragas.

