Queres Levar a Tua Turma ao Oceanário? | Trabalhos 2025-26

Exposição sobre espécies marinhas ameaçadas

Colégio Conciliar de Maria Imaculada (Leiria)

Escalão: 1.º escalão (jardins de infância e 1.º ciclo)

Espécie selecionada e respetivas ameaças:
1. Espécies selecionadas e justificação da escolha
As espécies selecionadas foram a tartaruga-comum (Caretta caretta), o atum-rabilho (Thunnus thynnus), a raia-diabo (Mobula mobular) e o peixe-lua (Mola mola), todas incluídas na Lista Vermelha da International Union for Conservation of Nature. Segundo a IUCN, a tartaruga-comum encontra-se classificada como vulnerável, o atum-rabilho e o peixe-lua como pouco preocupantes, e a raia-diabo como criticamente em perigo.
Foram identificadas diversas ameaças que colocam em risco a sobrevivência destas espécies marinhas. No caso do atum-rabilho, destacam-se as alterações climáticas, a sobrepesca, a pesca ilegal, a degradação dos ecossistemas marinhos e costeiros e a poluição marinha. A raia-diabo é ameaçada pelas alterações climáticas, pela destruição do habitat, pela sobrepesca e pela poluição dos oceanos. Relativamente ao peixe-lua, as principais ameaças identificadas foram as colisões com embarcações, a captura acidental em redes de pesca e a poluição marinha. Por fim, a tartaruga-comum enfrenta problemas como a ingestão de plásticos, a captura acidental em redes de pesca, a poluição, as alterações climáticas, a destruição das praias de nidificação e a atividade humana no meio marinho.
O processo de seleção das espécies iniciou-se com uma pesquisa orientada sobre animais marinhos em risco de extinção. Os alunos consultaram diferentes fontes de informação e analisaram espécies marinhas incluídas na Lista Vermelha da IUCN, procurando compreender as principais ameaças à biodiversidade marinha.
Após esta fase de investigação, os alunos demonstraram particular interesse por espécies que ocorrem nas águas de Portugal, estabelecendo uma ligação direta entre a biodiversidade marinha e a sua realidade próxima. Este fator revelou-se determinante, permitindo aos alunos compreender que existem espécies ameaçadas muito próximas de nós e reforçando a ideia de que a preservação dos oceanos depende das ações humanas e das escolhas realizadas no quotidiano.
A escolha destas espécies teve ainda como objetivo explorar animais marinhos com características e habitats distintos, permitindo abordar diversas problemáticas ambientais associadas à conservação dos oceanos, nomeadamente a poluição marinha, o consumo excessivo de plástico, a pesca não seletiva/captura acidental, a sobrepesca e os impactos das alterações climáticas nos ecossistemas marinhos.
2. Modo como foi selecionado o trabalho / envolvimento dos alunos
Neste projeto estiveram envolvidas duas turmas do 3.º ano, num total de 52 alunos. Numa fase inicial, as turmas foram reunidas para apresentação dos diferentes projetos Eco-Escolas, tendo os alunos demonstrado especial interesse pelo tema das espécies marinhas ameaçadas, por ser uma área que desperta bastante curiosidade, sensibilidade ambiental e vontade de conhecer melhor os oceanos e os animais marinhos.
O projeto foi desenvolvido de forma colaborativa e com forte envolvimento dos alunos em todas as etapas. Inicialmente, foram realizadas pesquisas orientadas em contexto de sala de aula, adequadas ao nível etário do 3.º ano, com o acompanhamento das professoras. Os alunos exploraram diferentes espécies marinhas ameaçadas através da visualização de imagens, vídeos e fontes de informação científica, promovendo momentos de diálogo, reflexão e partilha de conhecimentos sobre a biodiversidade marinha e os perigos que ameaçam estas espécies.
A seleção das espécies resultou destes momentos de pesquisa e debate coletivo, tendo os alunos participado ativamente nas decisões através da troca de ideias, partilha de opiniões e votação.
Após a seleção das espécies e dos momentos de pesquisa e debate coletivo, os alunos realizaram individualmente desenhos e ilustrações alusivos aos animais marinhos escolhidos e às principais ameaças ambientais identificadas. Todos os desenhos estiveram expostos na exposição, valorizando a participação individual de cada aluno e enriquecendo a componente artística da exposição. Posteriormente, foi realizada uma votação entre os alunos para selecionar a ilustração que melhor representava a mensagem de sensibilização ambiental do projeto.
Durante esta fase, foi solicitada a colaboração das famílias na recolha de materiais reutilizáveis e de desperdício. Esta participação revelou-se muito importante, permitindo envolver a comunidade educativa no projeto e reforçar a importância da reutilização de materiais e da sustentabilidade ambiental.
Ao longo do projeto, foram promovidos vários momentos de “chuva de ideias” em grande grupo, incentivando os alunos a contribuir com sugestões criativas para a construção dos animais e dos cenários da exposição. As ideias foram surgindo e evoluindo através da experimentação e exploração dos materiais reutilizados trazidos pelos alunos/famílias.
Por exemplo, um dos alunos trouxe para a escola pequenos círculos de plástico preto, que acabaram por ser utilizados na decoração do atum-rabilho, criando um efeito visual associado às escamas do peixe. As caixas de ovos foram utilizadas na construção das tartarugas, permitindo criar textura e relevo no corpo dos animais. Outros materiais, como garrafões, garrafas, jornais, caixas de cartão e rolos de papel, foram sendo adaptados de forma criativa às construções dos cenários da exposição.
Após a construção dos animais, os alunos demonstraram interesse em representar cada espécie no seu habitat natural, enriquecendo a componente visual e educativa da exposição. A partir dessa ideia, surgiram as diferentes estações temáticas, permitindo contextualizar cada espécie no seu habitat natural e sensibilizar a comunidade escolar para a importância da preservação dos ecossistemas marinhos.
Todo o processo permitiu desenvolver nos alunos competências de trabalho em equipa, criatividade, consciência ambiental e reutilização de materiais, promovendo uma aprendizagem ativa e significativa através da arte e da educação ambiental.
3. Disciplinas envolvidas
O projeto assumiu uma forte componente interdisciplinar, permitindo articular diferentes áreas curriculares:
Estudo do Meio – investigação sobre as espécies marinhas ameaçadas, os seus habitats, características, alimentação, bem como sobre as principais ameaças ambientais - como a poluição marinha, a sobrepesca e as alterações climáticas - e possíveis formas de proteger estas espécies e reverter essas ameaças.
Português – desenvolvimento de competências de leitura, interpretação, escrita e comunicação oral, através da pesquisa de informação, elaboração de textos informativos e convites para a visita à exposição , criação de frases de sensibilização ambiental e apresentação oral das descobertas realizadas.
Matemática – realização de contagens, medições, organização espacial e planeamento das estruturas utilizadas na construção dos animais e dos cenários da exposição.
Artes Visuais – construção dos animais marinhos e dos diferentes elementos cenográficos, recorrendo a técnicas de pintura, recorte, colagem, modelagem e reutilização criativa de materiais de desperdício.
Cidadania e Desenvolvimento – promoção da educação ambiental, sensibilização para a preservação dos oceanos, sustentabilidade, reutilização de materiais e adoção de comportamentos mais responsáveis na proteção da biodiversidade marinha.
Informática – pesquisa e seleção de informação digital adequada ao tema, bem como exploração da ferramenta Canva para a criação dos cartazes informativos.
4. Número de alunos envolvidos
Participaram na elaboração do projeto duas turmas do 3.º ano, num total de 52 alunos.
5. Organização do trabalho
O projeto desenvolveu-se ao longo de quatro meses, iniciando-se com a exploração do tema da biodiversidade marinha e das espécies ameaçadas. Após a fase de pesquisa e seleção das espécies, os alunos começaram a planear a construção dos animais.
Os alunos organizaram-se por turmas, ficando cada uma responsável pela construção de dois animais marinhos. O projeto foi desenvolvido de forma progressiva, colaborativa e interdisciplinar, envolvendo todos os alunos em diferentes tarefas ao longo das várias etapas de trabalho. A construção dos animais e dos restantes elementos expositivos decorreu maioritariamente nas aulas de Artes Visuais, uma vez que estas permitiam reunir as duas turmas na mesma sala. Dessa forma, todos os alunos puderam acompanhar de perto a evolução do projeto e colaborar entre si. Para além disso, demonstraram frequentemente iniciativa e entusiasmo, aproveitando momentos livres noutras disciplinas para dar continuidade aos trabalhos.
Os animais foram construídos com recurso a diversos materiais reutilizados, como caixas de cartão, jornais, caixas de ovos, garrafões, garrafas de plástico e rolos de papel, entre outros. Numa primeira fase, os alunos desenharam e recortaram as estruturas base em cartão. O peixe-lua constituiu uma exceção, tendo a sua estrutura sido desenvolvida a partir de garrafões e garrafas de plástico, o que permitiu conferir maior volume e resistência à construção.
Posteriormente, os diferentes animais foram modelados, revestidos e decorados com materiais reutilizados, de forma a criar relevo, textura e realismo.
As tartarugas foram revestidas com caixas de ovos reutilizadas, recriando o efeito das carapaças, enquanto o atum-rabilho foi coberto com pequenos círculos de plástico preto que simulavam escamas. A raia-diabo foi construída em cartão e materiais plásticos reutilizados. Todos os animais foram pintados e decorados pelos alunos, valorizando a criatividade, a expressão artística e a reutilização de materiais.
Concluída a construção dos animais, realizaram-se novos momentos de partilha e reflexão, em grande grupo, para planear a organização da exposição. Os alunos verificaram que muitas das ameaças identificadas eram comuns às diferentes espécies, tendo decidido estruturar a exposição em quatro estações temáticas, cada uma dedicada a uma problemática ambiental específica. Foi com base na definição da criação de cada estação para cada animal, que começaram a surgir ideias para a criação de outros elementos decorativos.
Cada estação, à exceção da estação das tartarugas — na qual foram construídas três tartarugas de diferentes dimensões — integrou um animal construído em 3D, cenários temáticos, cartazes informativos elaborados na plataforma Canva com informações sobre as espécies (características, alimentação, longevidade e curiosidades), bem como sobre as principais ameaças e possíveis soluções para a sua preservação. Cada espaço incluía ainda frases-chave de sensibilização ambiental associadas à temática representada.
Na estação da tartaruga-comum, foram representados os impactos da poluição marinha através da criação de um cenário composto por três tartarugas e uma rocha, colocadas sobre uma zona de areia. Para representar a areia, reutilizaram-se sacos de pão do refeitório. Em redor das tartarugas foram colocados diversos resíduos, nomeadamente resíduos de plástico, de forma a evidenciar os efeitos da poluição nos ecossistemas marinhos.
Na estação do atum-rabilho, os alunos criaram a representação de um cardume preso numa rede reaproveitada, sensibilizando para o problema da sobrepesca, enquanto dois atuns-rabilhos nadavam livremente.
A estação do peixe-lua abordou a pesca não seletiva e os acidentes provocados pelas embarcações, recorrendo à construção de um barco e de uma hélice em contacto com o animal.
Na estação da raia-diabo, representaram-se os efeitos do aquecimento global através da criação de dois ambientes distintos: um ecossistema marinho saudável e outro degradado pelas alterações climáticas. O ecossistema marinho saudável foi complementado com um cenário em que a raia nadava sobre rochas elaboradas a partir da colagem de restos de espuma de poliuretano seca, reaproveitada de obras realizadas no Colégio, algas produzidas com jornal reciclado e pequenos organismos feitos com pasta de papel.
Para complementar a exposição e recriar o ambiente do fundo do mar, os alunos construíram rochas, medusas e vários elementos marinhos com materiais reutilizados que foram espalhados pelo espaço. No teto da exposição foi colocada uma rede reaproveitada de obras realizadas no Colégio, material que se encontrava destinado ao lixo. A reutilização deste material permitiu criar um efeito visual semelhante ao movimento do mar, reforçando simultaneamente a componente sustentável do projeto.
Finalizada a construção de todos os elementos da exposição, procedeu-se à elaboração dos cartazes informativos. Após a escolha de um modelo na plataforma Canva e a definição dos tópicos a incluir, cada turma ficou responsável pela criação dos cartazes relativos aos dois animais que tinha construído.
A exposição foi concebida como um percurso interativo, no qual os alunos assumiram o papel de guias, explicando à comunidade escolar as características das espécies e sensibilizando para a importância da preservação dos oceanos. Além disso, esta revelou-se uma experiência imersiva, uma vez que a exposição incluía vídeo e som que simulavam o fundo do mar, reforçando o ambiente pretendido.
6. Envolvimento da comunidade educativa
A comunidade educativa desempenhou um papel fundamental ao longo de todo o projeto, participando ativamente na recolha e cedência de materiais reutilizáveis, bem como na visita à exposição. Esta colaboração reforçou a ligação entre a escola, os alunos e as famílias, promovendo simultaneamente valores de sustentabilidade, responsabilidade e consciência ambiental.
A exposição foi inaugurada no Dia Eco-Escolas, permanecendo patente durante uma semana. Posteriormente, foi novamente aberta à comunidade no Dia da Família, permitindo alargar a participação das famílias e restantes elementos da comunidade educativa.
Foram enviados convites por correio eletrónico para o pré-escolar e creche, bem como divulgados nas plataformas Classroom das turmas do 1.º ciclo, dirigidos às famílias e aos alunos. Os alunos do 2.º e 3.º ciclos tiveram igualmente oportunidade de a visitar durante o Dia Eco-Escolas.
7. Materiais e técnicas utilizadas
Na construção da exposição foram utilizados materiais reciclados e de desperdício. Entre os materiais utilizados destacam-se caixas de cartão, jornais, revistas, garrafões e garrafas de plástico, caixas de ovos, rolos de papel, tecidos, redes, cordel, sacos de papel e pequenos materiais plásticos reaproveitados. Foram ainda reutilizados materiais provenientes das obras realizadas no colégio, como redes e restos de espuma de poliuretano seca, que seriam descartados.
Os materiais foram recolhidos com a colaboração das famílias e da comunidade escolar, sendo posteriormente selecionados e adaptados pelos alunos. Esta recolha permitiu aos alunos compreender que muitos materiais considerados “lixo” podem ganhar uma nova utilidade através da criatividade e da reutilização.
Ao nível técnico, os alunos recorreram a diferentes técnicas de expressão plástica e construção tridimensional, nomeadamente recorte, colagem, pintura, modelagem em papel machê, montagem de estruturas em cartão, revestimento de superfícies, criação de texturas e construção de elementos em 3D. Para a elaboração de pequenos organismos marinhos e elementos decorativos do fundo do mar, os alunos produziram também pasta de papel, explorando técnicas de modelagem e secagem.
Foram ainda utilizadas técnicas de sobreposição de materiais, combinação de diferentes texturas e pintura decorativa, permitindo criar maior realismo nos animais e nos cenários marinhos. A utilização de materiais variados contribuiu para tornar a exposição visualmente apelativa e reforçou a componente artística, criativa e sustentável do projeto.

Data em que pretendem visitar o Oceanário de Lisboa:
18 de junho de 2026

Fotografias da exposição elaborada: