Centro Escolar da Luz | Boas Práticas | 2025-2026

Município: Lagos
Coordenadores
  • Cláudia Bento
  • Cátia Alexandra Pinto Coelho
Ano Letivo
2025-2026
Temas
ODS
Objetivo 10 - Reduzir as desigualdades Objetivo 16 - Paz, Justiça e Instituições Eficazes
Descrição

O projeto “Olhares da Infância sobre as pessoas em situação de sem-abrigo” nasceu da vontade de sensibilizar as crianças, a comunidade educativa e toda a população para a realidade das pessoas em situação de sem-abrigo, promovendo valores de cidadania, ética, empatia, respeito pela dignidade humana e inclusão social.
A iniciativa envolveu toda a comunidade escolar do Agrupamento de Escolas Júlio Dantas, promovida pelo Município de Lagos no âmbito do trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo. Esta ação enquadra-se nos objetivos da Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo 2025-2030 (ENIPSSA), contribuindo para a sensibilização da comunidade e para o combate ao estigma associado a esta problemática.
Sob o tema “Gente e História”, os alunos do 1.º ciclo, do Centro Escolar da Luz, foram convidados a refletir sobre a realidade das pessoas em situação de sem-abrigo através da literatura infantil. Inspirados nas obras Sem Abrigo, de Maria Inês Almeida e José Almeida de Oliveira, e O Senhor do seu Umbigo, de Sandra Cabral Santos, desenvolveram trabalhos artísticos que evidenciam que, por detrás de cada pessoa que vive na rua, existe uma identidade, uma história de vida e uma dignidade que merece ser reconhecida e respeitada.
Os trabalhos produzidos procuraram dar visibilidade a quem tantas vezes se torna “invisível” no quotidiano das cidades, desafiando alunos, famílias e visitantes da exposição a refletirem sobre a importância da solidariedade, da inclusão e da responsabilidade coletiva na construção de uma sociedade mais justa e humana.
A exposição teve início no Centro Escolar da Luz, onde os trabalhos foram apresentados à comunidade educativa. Numa segunda fase, a exposição foi acolhida no átrio do Edifício Paços do Concelho Séc. XXI, aproximando a temática da população em geral e promovendo a reflexão sobre a realidade das pessoas em situação de sem-abrigo. Posteriormente, a mostra foi instalada no Hospital Público de Portimão, alargando ainda mais o seu alcance e sensibilizando utentes, profissionais de saúde e visitantes para a importância da inclusão social e do respeito pela dignidade humana.
Paralelamente, a turma do 4.º ano participou no 6.º Concurso de Escrita para Canções – “Canção à Espera de Palavras”, promovido pela Associação Portuguesa de Educação Musical. A criação da letra da canção “Acreditar” resultou de um trabalho colaborativo entre os alunos, a professora titular e a professora da Medida de Sucesso Educativo “Oficina de Leitura e Escrita”, que apoiou o processo de reflexão, expressão de ideias e construção textual. A composição musical foi desenvolvida em articulação com os professores de Música, promovendo uma verdadeira integração de saberes e linguagens artísticas.
Inspirada nas aprendizagens e reflexões realizadas ao longo do projeto, a canção transmite uma mensagem de esperança, amizade, superação e confiança. Expressões como “Estou aqui contigo”, “Precisas de acreditar” e “Uma casa para morar” revelam a sensibilidade dos alunos para a realidade das pessoas em situação de vulnerabilidade e o seu compromisso com valores de empatia, respeito e inclusão.
A canção foi apresentada na inauguração da exposição, constituindo um momento simbólico de abertura e síntese artística do trabalho desenvolvido. A articulação entre literatura, artes visuais, música e educação para a cidadania permitiu uma abordagem interdisciplinar, envolvendo as crianças como agentes ativos na construção de conhecimento e na promoção de uma cultura de respeito pelos direitos humanos.
Este projeto constituiu uma experiência significativa de aprendizagem, despertando nas crianças a consciência social, a capacidade de se colocarem no lugar do outro e o compromisso com uma escola e uma comunidade mais inclusivas. Através da arte, da reflexão, da colaboração e da participação ativa, os alunos aprenderam que cada pessoa tem uma história, um valor e o direito de ser vista, respeitada e apoiada.
Mais do que uma atividade pontual, este projeto de cidadania foi vivido por toda a comunidade educativa, demonstrando como a escola pode ser um espaço privilegiado para formar cidadãos conscientes, solidários e comprometidos com a construção de uma sociedade mais humana e inclusiva.

Fotografias