Escola EB1/JI Casais - Brito (Guimarães)
Escalão: Escalão 1 - Jardins de Infância e Escolas do 1º Ciclo
Idade do(s) autor(es):
Entre 8 e 9 anos (alunos do 3.º ano)
Digitalização da Ilustração:
Memória Descritiva:
Memória Descritiva: Metodologia e Fundamentação do Projeto "Ecolápis"
A implementação deste projeto junto da turma do 3.º Ano do Ensino Básico (EB de Casais, Brito), pautou-se por uma metodologia ativa, participativa e colaborativa, centrada no aluno como protagonista do seu processo de aprendizagem. A estratégia pedagógica baseou-se no modelo de Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP), que permite a exploração de problemas do mundo real através da investigação e da criação transdisciplinar.
1. Alerta para o Tema: A Descoberta do Património Autóctone
A fase inicial do projeto incidiu na sensibilização para a biodiversidade nacional e na problemática da desflorestação. Mais do que uma abordagem genérica, a turma realizou uma investigação ativa sobre as espécies autóctones, integrando os domínios da Educação Ambiental e da Cidadania. A escolha do Carvalho Cerquinho (Quercus faginea) como elemento central foi uma decisão coletiva e deliberada da turma, fundamentada na sua resiliência face às alterações climáticas e na sua importância histórica na regeneração dos solos degradados em Portugal e uma segunda razão, uma ação in loco com o autor e engenheiro florestal Filipe Pinto, apresentando o projeto “O planeta limpo do Filipe Pinto”, realizada a 19 de março de 2026.
Segundo o Referencial de Educação Ambiental para a Sustentabilidade (DGE, 2018), o envolvimento direto dos alunos na seleção das espécies promove a "Educação para o Lugar", ancorando o conhecimento científico à realidade local e tornando a aprendizagem significativa. Esta fase de alerta funcionou como um motor de curiosidade epistemológica, permitindo aos alunos compreenderem o papel vital desta espécie no ecossistema mediterrânico, na retenção de água no solo e na promoção da fauna local. O facto de viverem todos muito próximos do monte da Penha, Guimarães, a discussão em grande grupo fomentou o espírito crítico e a consciência de que a proteção da floresta é um dever cívico inalienável.
2. Conceção Criativa: A Semiótica do Território e o Pensamento de Projeto
Na fase de criação, a turma trabalhou na construção de uma narrativa visual complexa, onde a personagem "Ecolápis" assume o papel de mediador entre a criança e a natureza, atuando como o guia de um percurso geográfico planeado pelos alunos. A integração dos elementos obrigatórios, a personagem, a árvore (o Carvalho Cerquinho) e o mapa, não foi meramente estética, mas sim conceptual e narrativa.
De acordo com as teorias de Vygotsky (2010) sobre o desenvolvimento das funções psicológicas superiores, a utilização de símbolos e ferramentas culturais permite à criança materializar conceitos científicos abstratos em representações concretas. O desenho do percurso no Mapa de Portugal serviu como um exercício de planeamento estratégico, onde os alunos projetaram uma "viagem de preservação". Esta etapa reforçou a literacia territorial, transportando a mensagem da reflorestação desde o ponto de partida até ao destino final, integrando as Regiões Autónomas na consciência de unidade e coesão territorial, conforme previsto no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória.
3. Produção Artística: Interdisciplinaridade e Rigor Botânico
A execução em formato A3 focou-se na representação rigorosa dos caracteres morfológicos do Carvalho Cerquinho, estabelecendo uma ponte constante entre a Expressão Plástica e o Estudo do Meio. A utilização de técnica mista, combinando o grafite, o lápis de cor e elementos de colagem, visou conferir tridimensionalidade e textura à copa abobadada e ao tronco ritidoma (casca) da árvore.
Esta etapa materializou o conceito de literacia visual, onde a imagem não é apenas um adorno, mas uma prova de conhecimento botânico e geográfico.
Ao desenhar o mapa completo e o respetivo trajeto, os alunos consolidaram noções fundamentais de escala, proporção e cartografia básica. Esta prática cumpre as Aprendizagens Essenciais do 1.º CEB, que visam a compreensão da organização do espaço e a valorização do património natural português. A metodologia "mãos na massa" facilitou a retenção de conceitos sobre a estrutura das plantas e a diversidade das paisagens nacionais, promovendo o desenvolvimento da motricidade fina e da sensibilidade estética.
4. Reflexão e Seleção Final: Metacognição e Impacto Ambiental
A etapa final consistiu numa análise crítica e coletiva do impacto visual e pedagógico dos trabalhos produzidos. A turma refletiu sobre como a escolha de uma árvore específica e endémica, em vez de um símbolo genérico de "árvore", fortalece a mensagem de sustentabilidade e identidade nacional. Esta fase de reflexão e debate, apoiada nos princípios de Hernández (2000) sobre a pedagogia da cultura visual, permitiu aos alunos justificarem as suas opções estéticas e científicas perante os pares.
O processo de seleção do trabalho para concurso foi, em Assembleia de Turma, um exercício de cidadania e democracia em sala de aula. A decisão baseou-se no equilíbrio entre a criatividade artística e a exatidão da representação da "Rota do Carvalho Cerquinho". Este projeto demonstrou que a turma não só cumpriu escrupulosamente as regras do desafio, como as superou ao integrar um rigor científico, botânico e geográfico, resultando num processo de aprendizagem profundo, duradouro e emocionalmente relevante.
Referências Bibliográficas (APA 7.ª Edição)
Agência Portuguesa do Ambiente. (2017). Estratégia nacional de educação ambiental 2020 (ENEA 2020).
Dewey, J. (1958). Experience and education. Macmillan.
Direção-Geral da Educação. (2017). Perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória. Ministério da Educação. https://dge.mec.pt/perfil-dos-alunos
Direção-Geral da Educação. (2018). Aprendizagens essenciais: 1.º ciclo do ensino básico (3.º ano). Ministério da Educação.
Hernández, F. (2000). Cultura visual e educação. Artmed.
Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. (s.d.). Quercus faginea Lam. (Carvalho-cerquinho). Flora de Portugal. https://www.icnf.pt/
Loureiro, C. F. B. (2004). Educação ambiental e gestão de resíduos. Cortez Editora.
Vygotsky, L. S. (2010). Imaginação e criatividade na infância. Ática.

