Muros Com Vida | Trabalhos 2025/2026

Escola EB1/JI de São Pedro (Vila do Porto)

Fotografias

Fotografias do processo/pintura:

Totalidade da pintura:

Trabalho final

Fotografias de detalhes:

Imagem de base do mural

Parceiros:
Atividade desenvolvida sob a coordenação da equipa pedagógica da Eb1/JI de São Pedro ( professores/educadores titulares de turma, professora de Artes Visuais e assistentes operacionais, bem como, com o apoio do Município de Vila do Porto na aquisição das tintas e material de pintura.

Memória descritiva

Identificação do ecossistema e elementos do ecossistema presentes na pintura:
O mural representa uma zona de transição ecotonal (mar/terra), dividida em dois grandes ecossistemas típicos dos Açores: o ecossistema marinho costeiro, focado no mar aberto que circunda a ilha, conhecido por ser um ponto de passagem e alimentação para grandes migradores oceânicos. E o ecossistema terrestre focado na arriba costeira ( Calçada do Gigante e Barreiro da Faneca) e na vegetação endémica que resiste aos ventos marítimos e à altitude da ilha.

Qual a razão da escolha desta imagem?
No contexto específico da Ilha de Santa Maria, este projeto materializou-se através de uma atividade interdisciplinar focada na exploração e valorização do riquíssimo património natural local, aliando a ciência à arte.
São estas algumas das razões para esta escolha:
1. A Representatividade e Identidade Local: A imagem reflete perfeitamente a biodiversidade singular de Santa Maria, que os alunos identificaram durante a sua fase de investigação. A presença do tubarão-baleia, da jamanta, do cagarro e da estrelinha permite que a comunidade local e escolar se reveja na pintura, reconhecendo os "gigantes marinhos" e as espécies emblemáticas que caracterizam o seu património natural.
2. A Universalidade da Mensagem: A inclusão das faixas de texto ("Do deserto ao mar, vamos cuidar!" e "A natureza é a nossa casa, vamos protegê-la.") consolida a função educativa do mural. O texto une os diferentes ecossistemas (deserto, mar, céu) sob um compromisso de cuidado global, reforçando o objetivo do projeto de promover a consciencialização ecológica e a cidadania ativa na comunidade.
Em suma, esta imagem não é apenas uma ilustração bonita; é um documento de co-criação que reflete a identidade ecológica de Santa Maria e o poder da voz dos alunos na defesa do seu património natural.

Qual o processo de trabalho/dinâmica/metodologia que conduziu à elaboração do mural:
O trabalho desenvolveu-se em 5 fases sequenciais:
1. Investigação Científica e Exploração Ecológica (A Ciência)
A Dinâmica: Antes de pegar em pincéis ou computadores, os alunos exploraram a biodiversidade local. Partindo da sua participação em iniciativas regionais (como a Campanha SOS Cagarro ou as visitas ao Paleo Parque), realizaram pesquisas na sala de aula, analisaram fotografias e debateram as características das espécies nativas e endémicas de Santa Maria (como o tubarão-baleia, o cagarro ou a vidália).
O Objetivo: Garantir que o mural teria rigor científico e que as escolhas artísticas seriam informadas.
2. Cocriação e Construção do Prompt (A Linguagem)
A Dinâmica: Em grande grupo (assembleia de turma), os alunos debateram quais as espécies mais representativas e como deveriam ser organizadas visualmente. Com a ajuda dos professores, as ideias das crianças (ex: "queremos o mar com o tubarão-baleia e as jamantas, mas também a arriba com o cagarro e a flor vidália") foram traduzidas num texto descritivo detalhado — um prompt técnico.
O Objetivo: Desenvolver a capacidade de síntese, o vocabulário e a literacia digital.
3. Geração por Inteligência Artificial (A Tecnologia)
A Dinâmica: O professor introduziu o prompt construído coletivamente numa ferramenta de geração de imagem por IA. O sistema processou as diretrizes dos alunos e devolveu várias propostas visuais que cruzavam os ecossistemas marinho e terrestre da ilha.
4. Reflexão Crítica e Seleção Democrática (O Pensamento Crítico)
A Dinâmica: As imagens geradas foram projetadas na sala de aula para uma análise minuciosa dos alunos. As crianças assumiram o papel de "críticos de arte" e "validadores científicos", avaliando se a IA tinha colocado os elementos nos habitats corretos e se o impacto visual era o pretendido. Após o debate e pequenos ajustes no texto para refinar o resultado, a comunidade escolar votou na imagem final.
O Objetivo: Estimular o espírito crítico, a capacidade de argumentação e a tomada de decisão democrática.
5. Execução Pictórica no Muro (A Arte)
A Dinâmica: Com o desenho final aprovado, passou-se à ação física no recreio da escola. A imagem foi transferida para o muro de 4m × 3m através de um método estruturado (como a projeção da imagem na parede ao anoitecer para fazer os contornos a lápis, ou o sistema tradicional de quadrícula). Finalmente, os alunos, professores e a comunidade envolveram-se na pintura ativa do espaço com tintas adequadas para o exterior.
O Objetivo: Desenvolver a motricidade, o trabalho em equipa, a expressão artística e o sentimento de pertença pelo espaço escolar.
Em resumo: A metodologia inverteu o processo tradicional. Em vez de os alunos pintarem um desenho abstrato ou pré-definido por um adulto, eles idealizaram, investigaram, programaram (via prompt), criticaram e executaram a sua própria visão do património natural de Santa Maria.

Qual a idade e forma como foram envolvidos os alunos?
Faixa Etária / Anos de Escolaridade: O projeto envolveu diretamente os alunos do 1.º Ciclo do Ensino Básico, com idades compreendidas entre os 6/10 anos e o grupo do Pré-escolar dos 3 aos 5 anos.
Em vez de serem meros espetadores ou executores de uma ideia de adultos, os alunos assumiram três papéis fundamentais ao longo do projeto:
Os Alunos como Investigadores: O que fizeram: Com base nas atividades que já realizavam com os Parques Naturais e campanhas locais (como o SOS Cagarro e o Paleo Parque), os alunos trouxeram o seu conhecimento para a sala de aula. Identificaram quais eram as espécies de Santa Maria que tinham de estar no mural. Os mais velhos pesquisaram dados sobre o habitat e a importância do tubarão-baleia, da jamanta ou da estrelinha, enquanto os mais novos identificaram as cores e as formas destes animais através de desenhos e histórias.
Os Alunos como Diretores Criativos e Decisores Digitais. Foram os alunos que "mandaram" na Inteligência Artificial. Em conjunto, numa dinâmica de debate em sala de aula, escolheram as palavras e os elementos que queriam ver na imagem (o "mar", o "deserto/arriba", os animais e as frases de proteção). O professor serviu apenas como intermediário técnico (escrevendo o prompt). Quando a IA gerou as imagens, os alunos transformaram-se em críticos de arte. Analisaram o resultado, discutiram se a imagem representava bem a sua ilha e votaram democraticamente na versão final que continha as frases "Do deserto ao mar, vamos cuidar!" e "A natureza é a nossa casa, vamos protegê-la."
Os Alunos como Artistas. Deitaram as mãos à obra, enquanto os professores ou alunos mais velhos ajudaram a estruturar as linhas principais do desenho no muro, todas as crianças participaram na pintura. Os alunos do Pré-escolar e do 1.º Ciclo ajudaram a preencher as áreas de cor, a dar vida ao mar, ao céu e aos animais, sentindo o impacto direto do seu esforço físico na transformação da escola.
Esta forma de envolvimento desenvolveu a literacia digital (perceber como funciona a IA), a cidadania ativa (trabalho em equipa e votação), a consciência ecológica e, acima de tudo, o sentimento de pertença. O muro deixou de ser um espaço branco para passar a ser "o muro que nós pensámos e pintámos".