Escola EB 2,3 Febo Moniz (Almeirim)
Parceiros:
- Câmara Municipal de Almeirim (disponibilização de tintas, materiais de pintura, nomeadamente trinchas, rolos, pincéis, marcadores Posca e cedência de Transporte até ao local a visitar).
- Agrupamento de Escolas de Almeirim.
Memória descritiva
Identificação do ecossistema e elementos do ecossistema presentes na pintura:
O mural representa o ecossistema da Vala Real em Almeirim, uma linha de água com elevada importância ecológica, paisagística e agrícola para o concelho. A composição artística procurou retratar algumas das espécies observadas durante a saída de campo (no dia 22 de abril) realizada no âmbito do Programa Eco-Escolas, destacando a biodiversidade característica deste espaço.
Flora representada
Videira (vitis vinifera); malmequer-branco (bellis perennis); malmequer-amarelo ou crisântemo-dos-campos (glebionis segetum); silvas silvestres (rubus caesius); jacinto-de-água (pontederia crassipes); choupo (populus deltoides); roseira-brava (rosa agrestis); papoila (papaver rhoeas); salgueiro-chorão (salix babylonica) e espigas silvestres (diversas gramíneas espontâneas).
Fauna representada
Vespa (vespula vulgaris); achigã (micropterus salmoides); carpa-comum (cyprinus carpio); fataça (liza ramada); barbo-comum (Luciobarbus bocage); borboleta-limão (gonepteryx rhamni); libélula-imperador (anax imperator); rã-verde (pelophylax perezi); raposa (vulpes vulpes); galinha-d’água (gallinula chloropus); pega-rabuda (pica pica); tordo-ruivo (turdus philomelos); lagartixa (podarcis hispanicus) e toupeira (talpa occidentalis)
Neste ecossistema existem diversas relações ecológicas que contribuem para o equilíbrio natural. Os insetos polinizadores, como as vespas e as borboletas, ajudam na reprodução das plantas com flor. As aves alimentam-se de sementes, insetos e pequenos animais, contribuindo para o controlo natural das populações. A rã-verde e a libélula dependem da água para parte do seu ciclo de vida, enquanto os peixes utilizam a vala como habitat e fonte de alimento. As plantas aquáticas fornecem abrigo a inúmeras espécies e ajudam a manter a qualidade da água. Todas estas relações demonstram a interdependência entre os seres vivos e a importância da preservação deste ecossistema local.
Durante a visita ao local e nas aulas de CN foi igualmente abordada a problemática das espécies invasoras presentes na Vala Real, com especial destaque para o jacinto-de-água (Pontederia crassipes). Os alunos compreenderam que esta planta aquática exótica apresenta uma elevada capacidade de crescimento e propagação, podendo reduzir a circulação da água, diminuir a quantidade de oxigénio disponível para outras espécies e comprometer o equilíbrio do ecossistema. Foi ainda referido que a Câmara Municipal de Almeirim desenvolve regularmente ações de monitorização, limpeza e controlo desta espécie, contribuindo para a preservação da biodiversidade local. Os alunos tiveram também oportunidade de compreender que as cheias ocorridas durante o presente ano tiveram alguns efeitos positivos no ecossistema, promovendo uma limpeza natural dos solos, a renovação de habitats e a remoção de parte da vegetação acumulada na vala, favorecendo o funcionamento natural deste sistema aquático.
Qual a razão da escolha desta imagem?
A escolha da imagem resultou da vontade de dar a conhecer aos alunos um espaço natural de grande valor ecológico que, apesar de se localizar muito próximo da cidade de Almeirim, é frequentemente desconhecido pela comunidade escolar.
A Vala Real desempenha um papel importante na paisagem local, constituindo um corredor ecológico que alberga diversas espécies de fauna e flora e que contribui para a manutenção da biodiversidade. Simultaneamente, possui uma forte ligação à atividade agrícola do concelho, assegurando o escoamento e a gestão da água utilizada nos campos agrícolas circundantes.
Do ponto de vista histórico, a Vala Real integra um sistema hidráulico antigo associado ao desenvolvimento agrícola da região, refletindo a estreita relação entre a população local, os recursos hídricos e o aproveitamento dos solos férteis do Vale do Tejo.
A raposa (Vulpes vulpes) assume um lugar de destaque nosso Mural por ter sido uma das espécies que mais marcou os alunos durante a saída de campo. Embora o animal observado se encontrasse já sem vida, a sua descoberta despertou a curiosidade e a reflexão dos alunos sobre as ameaças que afetam a fauna selvagem. Nas aulas de Ciências Naturais, este episódio serviu de ponto de partida para abordar alguns fatores de risco para os animais do ecossistema, nomeadamente a caça ilegal, o uso inadequado de pesticidas na agricultura e outras formas de perturbação dos habitats naturais. A inclusão da raposa no Mural pretende, assim, sensibilizar a comunidade educativa para a importância da proteção da fauna local e para a necessidade de promover práticas mais sustentáveis e compatíveis com a conservação da biodiversidade.
Através deste Mural pretendeu-se assim sensibilizar a comunidade educativa para a importância da conservação dos ecossistemas locais e para a necessidade de proteger os recursos naturais. O projeto encontra-se assim igualmente alinhado com alguns dos objetivos de desenvolvimento sustentável trabalhados pelo Programa Eco Escolas, nomeadamente o ODS 4 – educação de qualidade, o ODS 6 – água potável e saneamento e o ODS 15 – proteger a vida terrestre.
Qual o processo de trabalho/dinâmica/metodologia que conduziu à elaboração do mural:
A elaboração do mural desenvolveu-se através de uma metodologia interdisciplinar que envolveu as disciplinas de Ciências Naturais, Educação Visual, Educação Tecnológica, o Clube d’artes e Clube de fotografia.
O projeto teve início com uma saída de campo à Vala Real (no dia 22 de abril), orientada por um guião de observação. Durante a visita, os alunos realizaram observações diretas da fauna, da flora e da paisagem envolvente, efetuaram registos fotográficos e realizaram desenhos de espécies e elementos patrimoniais observados, nomeadamente a Ponte e diferentes zonas da Vala.
Posteriormente, nas aulas de Ciências Naturais, sob orientação das professoras Inês Franco, Sílvia Paulino e Teresa Marques, procedeu-se à identificação das espécies observadas com recurso a Aplicações (Pl@ntNet e Google Lens), à aprendizagem dos respetivos nomes científicos e à compreensão das relações ecológicas existentes entre os diferentes seres vivos do ecossistema. Foi ainda criado um portefólio digital colaborativo de fotografias e registos de campo, partilhado entre todos os participantes, promovendo o trabalho cooperativo e a construção conjunta do conhecimento.
Nas aulas de Ciências Naturais foram ainda discutidos alguns dos desafios ambientais associados à conservação da Vala Real, nomeadamente a presença de espécies invasoras, como o jacinto-de-água (Pontederia crassipes), e a importância das ações de gestão e controlo desenvolvidas pela autarquia para a manutenção do equilíbrio ecológico deste ecossistema (houve assim preocupação por transmitirmos um pouco de Educação Ambiental e Literacia Ecológica aos nossos alunos).
Nas aulas de Educação Visual e Educação Tecnológica e nas sessões do Clube d'Artes, orientadas pela professora Maria Rosário Narciso, constituíram o espaço privilegiado de desenvolvimento de todo o processo criativo que culminou na execução do mural. O percurso iniciou-se com uma fase de investigação e experimentação artística, durante a qual os alunos do Clube d'Artes realizaram múltiplos estudos exploratórios, percorrendo diferentes correntes estéticas antes de chegarem ao projeto final. Este processo foi essencial para consolidar as escolhas visuais e conceptuais que viriam a definir a identidade do mural. A composição final integra, de forma coerente e intencional, três linguagens artísticas distintas, cada uma ao serviço de uma intenção expressiva específica: Expressionismo - O céu foi trabalhado segundo uma abordagem expressionista, com pinceladas de carácter gestual e uma paleta cromática de grande intensidade emocional. Esta opção confere dinamismo e dramatismo à composição, evocando a força e a vitalidade do ecossistema representado. Realismo - As espécies animais e vegetais identificadas na Vala Real foram retratadas com rigor naturalista, privilegiando a fidelidade morfológica e o detalhe científico. Esta escolha, desenvolvida sempre em articulação com as docentes de Ciências Naturais, garante o valor didático e documental do mural. A terceira corrente utilizada, foi o Surrealismo – Parte da ponte transforma-se numa videira, num gesto visual de contaminação poética entre o construído e o natural. Este elemento surreal convida o observador a refletir sobre a relação entre o território humano e o mundo vivo que o habita, sendo o elemento mais criativo da composição. Os estudos preparatórios foram realizados a carvão, técnica que favorece a rapidez de registo e a liberdade expressiva necessárias à fase de investigação. Entre os trabalhos produzidos, foram selecionados aqueles que melhor conciliavam a qualidade artística com o rigor científico, servindo de base à composição final integradora dos diferentes elementos do ecossistema da Vala Real. Após a transferência do desenho para a parede, os trabalhos de pintura decorreram nas aulas de EV/ET, nas sessões do Clube d'Artes e nas tardes livres das turmas envolvidas. Os alunos participaram ativamente na execução do mural, utilizando tintas, rolos, trinchas e pincéis disponibilizados pela Câmara Municipal de Almeirim. Todo o processo privilegiou a aprendizagem ativa e o trabalho colaborativo, colocando os alunos no centro de cada decisão criativa, desde os primeiros estudos até à fase da realização/pintura do mural. A articulação entre a Educação Artística ( EV/ET e Clube d`Artes) e as Ciências Naturais reforçou a dimensão interdisciplinar do projeto, enquanto a escolha do ecossistema da Vala Real como tema central promoveu a valorização do património natural local e o desenvolvimento da consciência ambiental através da arte urbana.
Qual a idade e forma como foram envolvidos os alunos?
Participaram no projeto aproximadamente 45 alunos, com idades compreendidas entre os 10 e os 14 anos, pertencentes ao 5.º, 6.º, 7.º, 8.º e 9º anos de escolaridade.
Os alunos foram envolvidos em todas as fases do projeto, desde a observação direta do ecossistema durante a saída de campo, à recolha de informação científica, realização de registos fotográficos e desenhos de observação, identificação das espécies, elaboração das propostas artísticas e execução do Mural.
Ao longo do projeto foram desafiados a trabalhar de forma colaborativa, desenvolvendo competências de cidadania ambiental, criatividade, observação científica e sentido de pertença ao património natural local. Através da arte urbana, procuraram sensibilizar a comunidade educativa para a preservação e valorização da Vala Real e da biodiversidade que nela existe.

