Centro Escolar do Marco (Soure)
Parceiros:
Parcerias com a Junta de Freguesia de Samuel e a Câmara Municipal de Soure .
Memória descritiva
Identificação do ecossistema e elementos do ecossistema presentes na pintura:
A composição artística foca-se no Ecossistema de Arrozal e Ambiente Ripícola (Zonas Húmidas e Ribeirinhas) que caracteriza a paisagem envolvente do Centro Escolar. Através de uma narrativa visual, foram ilustrados os seguintes elementos fundamentais:
O Cultivo de Arroz: Representado como a base de suporte físico e biológico do ecossistema, definindo a paisagem local e servindo de abrigo a várias espécies de insetos e pequenos seres vivos.
A Água e o Rio: O elemento vital que nutre os arrozais e sustenta a fauna piscícola e anfíbia local.
A Cadeia Alimentar e a Fauna Local (Aves): Destacam-se as cegonhas, aves emblemáticas da nossa região que utilizam os arrozais como área preferencial de alimentação. Foram ilustradas em plena atividade ecológica, alimentando-se de lagostins (incluindo uma representação dinâmica de uma cegonha com um lagostim na bica), demonstrando de forma clara a relação de predação natural.
Crustáceos e Peixes: Representação de peixes do rio e do lagostim-do-arroz, ilustrado no seu habitat natural a alimentar-se e a interagir com o meio.
Mamíferos Aquáticos: A lontra ganha uma posição de destaque como espécie de topo e como bioindicador de extrema relevância, simbolizando a pureza e a boa qualidade ecológica da água do nosso rio.
Mensagem Global de Sustentabilidade: A coroar toda esta biodiversidade em equilíbrio, os alunos pintaram a representação de um "Planeta Terra Feliz", reforçando a ideia de que a preservação dos equilíbrios naturais locais é a chave para a sustentabilidade global.
Qual a razão da escolha desta imagem?
A escolha da imagem e a estruturação da pintura basearam-se na forte ligação identitária que os alunos têm com a paisagem natural e agrícola envolvente. O que torna este trabalho artisticamente relevante e pedagogicamente rico é a sua organização sequencial por continuação.
Em vez de criarmos desenhos isolados ou desconexos, planeámos o mural como uma narrativa contínua, onde as várias folhas de desenho originais se fundem ao longo do muro numa sequência lógica e fluida:
O início (A Água): A sequência começa no meio aquático (o rio), que representa a origem da vida e o recurso vital da nossa região.
A transição (O Arroz): Em seguida, a água dá lugar à paisagem do arrozal, o principal agroecossistema local que molda a nossa cultura e serve de abrigo a dezenas de espécies.
A culminação (A Natureza e Biodiversidade): Finalmente, a sequência estende-se para a diversidade da fauna terrestre e voadora em plena harmonia biológica.
Qual o processo de trabalho/dinâmica/metodologia que conduziu à elaboração do mural:
A escolha da imagem e a estruturação da pintura basearam-se na forte ligação identitária que os alunos têm com a paisagem natural e agrícola envolvente. O que torna este trabalho artisticamente relevante e pedagogicamente rico é a sua organização sequencial por continuação.Em vez de criarmos desenhos isolados ou desconexos, planeámos o mural como uma narrativa contínua, onde as várias folhas de desenho originais se fundem ao longo do muro numa sequência lógica e fluida:
O início (A Água): A sequência começa no meio aquático (o rio), que representa a origem da vida e o recurso vital da nossa região.
A transição (O Arroz): Em seguida, a água dá lugar à paisagem do arrozal, o principal agroecossistema local que molda a nossa cultura e serve de abrigo a dezenas de espécies.
A culminação (A Natureza e Biodiversidade): Finalmente, a sequência estende-se para a diversidade da fauna terrestre e voadora em plena harmonia biológica.
Esta composição em sequência permitiu aos alunos compreender, na prática, o conceito de ecossistema integrado: nada na natureza existe de forma isolada, e a saúde do rio (a água) está diretamente ligada à vida dos campos de arroz e ao bem-estar das espécies que neles se alimentam. Visualmente, a pintura ganha um dinamismo único, convidando o observador a "ler" o muro como uma bonita história de continuidade ecológica.
Qual a idade e forma como foram envolvidos os alunos?
O projeto envolveu ativamente as crianças do 1º ciclo e do pré escolar do Centro Escolar com idades compreendidas entre 4 e os 10 anos. A dinâmica foi desenhada para colocar os alunos no centro da tomada de decisão, promovendo o espírito de grupo, o orgulho comunitário e a cidadania ativa através de passos muito concretos:
Trabalho Investigativo em Equipa: Dentro das salas de aula, as turmas organizaram-se em pequenos grupos de trabalho. Cada grupo ficou responsável por investigar e debater uma temática ou espécie diferente associada à biodiversidade local (as cegonhas, as lontras, a cultura do arroz ou a fauna aquática).
Partilha Familiar e Ligação à Comunidade: Para aproximar a escola da realidade local, promoveu-se uma enriquecedora ligação intergeracional. Vários alunos trouxeram de casa fotografias dos seus pais e avós a trabalhar nos arrozais da região. Esta partilha permitiu a todo o grupo compreender de forma afetiva a importância social, económica e ambiental que este cultivo tem no quotidiano das suas próprias famílias.
Sensibilização Multimédia: Os alunos assistiram também a pequenos documentários e vídeos sobre as fases do cultivo do arroz que ocorre mesmo ao lado das suas casas, compreendendo o valor ecológico destas zonas húmidas ao longo das estações do ano.
Votação e Decisão Democrática: O desenho do muro foi um processo inteiramente democrático. Após as crianças terem desenhado individualmente as suas propostas, cada turma fez uma seleção inicial. Posteriormente, reuniram-se todas as opções e, através de uma votação coletiva onde todos os alunos participaram, foram escolhidas as melhores ideias e as figuras que iriam, de forma consensual, compor a sequência final do mural "Muros com Vida".
Este processo de cocriação participativa garantiu que cada criança se sentisse autora e guardiã do muro pintado, reforçando de forma inesquecível a sua ligação ao património natural de Soure e Samuel.

