Escola Básica e Secundária Dr. Hernâni Cidade (Redondo)
Parceiros:
Município de Redondo.
Memória descritiva
Identificação do ecossistema e elementos do ecossistema presentes na pintura:
Ecossistema do Alentejo, com bastantes apontamentos de montado
Elementos representados: foram escolhidos ao nível da flora, exemplos característicos desde há milénios, da paisagem, da cultura, das vivências até à atualidade.
A oliveira (Zambujeiro) faz parte da nossa tradição, cultura e paisagem, seja como árvore de cultivo ou ornamental. Está presente à mesa, todos os dias, na forma de azeitonas ou de azeite, faz parte da toponímia, é nome de família, está associada a tradições religiosas e é símbolo de paz, longevidade e glória. Adaptada a solos pobres, cresce lentamente e pode permanecer por milénios.
O sobreiro (Quercus suber L.), árvore mãe da cortiça, é uma espécie de crescimento lento e grande longevidade, que desenvolveu mecanismos de adaptação à secura e ao fogo.
O aloendro (loendro, loandro, oleandro …) é um arbusto muito resistente, adaptado a todas as classes de solos e condições adversas. É uma planta pouco exigente no que diz respeito à temperatura e humidade. A flor do Aloendro possui um aroma adocicado, lembrando vagamente um bolo de baunilha, mas é extremamente tóxico.
A esteva, valente solitária, é conhecida por vingar em solos pobres, as suas flores pintam poeticamente os campos alentejanos. Recentemente um estudo do Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-Alimentar do Alentejo (CEBAL), mostra o potencial deste recurso endógeno para aplicações na alimentação de ruminantes, contribuindo para a promoção de sistemas de produção animal mais sustentáveis e simultaneamente a valorização da Esteva. “A utilização de Esteva ou de extratos de taninos condensados de Esteva, nas dietas de ruminantes (como ovinos e caprinos) pode ser uma estratégia promissora para incrementar: i) a eficiência alimentar, melhorando a utilização digestiva da proteína alimentar e o valor nutricional de silagens; ii) a saúde animal dada o efeito antiparasitário identificado em borregos e cabras leiteiras, e iii) a qualidade dos produtos, pela melhoria da estabilidade oxidativa da carne e da sua composição em ácidos gordos.”
A junça, o seu cultivo remonta a épocas bastante longínquas da história da humanidade e os registos surgem um pouco por todo o mundo. Terá chegado à Península Ibérica pela mão dos árabes durante a Idade Média. No Alentejo, nomeadamente em Redondo, tem sido utilizado na cestaria e ainda até hoje para os fundos das cadeiras que fazem parte das tradicionais mobílias pintadas, na maior parte com motivos florais.
Oliveira; Sobreiro; Loendro; Esteva; Junça. A escolha destas plantas decorreu do facto, de que de alguma forma, fazem parte do ecossistema que tal como o montado, inclui, alimenta, estabelece empatia, sustentável, ao longo de gerações, com as gentes do Alentejo, perseverantes, adaptadas às adversidades e exigências do clima, pacientes e sabedoras de que o tempo é para ser usado, tudo resolve e existe infinitamente.
Ao nível da fauna, e porque nestes ecossistemas como o montado, a ação humana e o pastoreio ajudam a manter este habitat, foram escolhidas as vacas, porcos e ovelhas que vivem em modo de produção extensivos e por vezes biológicos, como as vacas que chegam a ser alimentadas somente por prados espontâneos;
Ou os porcos em alguns casos quase javalis, como na Herdade do Freixo do Meio, que pastam no montado, comendo bolotas. Este período, conhecido como a montanheira, decorre normalmente entre outubro e março, quando o fruto cai naturalmente das azinheiras e sobreiros nos montados. Fazem também a limpeza dos terrenos e ainda semeiam bolotas, que dão origem a novos sobreiros, azinheiras ou carvalhos;
As ovelhas, na floresta são extremamente uteis para limpar terrenos é uma técnica de pastoreio sustentável e ecológica. Os animais consomem o mato, ervas altas e infestantes, ajudando na prevenção de incêndios florestais e criando faixas de gestão de combustível sem recorrer a químicos ou maquinaria pesada.
Outros animais como o gamo, o coelho, patos ou garças, entre outros vivem, de uma forma mais selvagem.
Vacas; porcos; ovelhas; gamos; coelhos; cagados; patos; garças.
Qual a razão da escolha desta imagem?
Esta imagem foi escolhida porque dela fazem parte elementos da fauna e flora do ecossistema envolvem à vida dos alunos de Redondo. Apontamentos com raízes longínquas, mas que continuam a estar presentes das vivências do dia a dia, nas tradições, e práticas culturais. A proximidade com os animais e flora, a gastronomia e utilização de produtos endógenos na produção mais sustentável de animais, metodologias sustentáveis nas produções agropecuárias, que é necessário preservar, inovando.
Qual o processo de trabalho/dinâmica/metodologia que conduziu à elaboração do mural:
Metodologia-
Trabalho de pesquisa: sobre ecossistemas alentejanos e seleção dos elementos a colocar na composição.
Execução – Projeto: Escolha do local mais apropriado e autorizado, seleção de tintas e cores, desenho prévio a giz dos principais elementos.
das espécies representativas, reprodução do habitat e espécies selecionadas.
Execução do Mural – Pintura no local selecionado, com colaboração de alunos das turmas de 5º e 7º anos, orientados pela professora da disciplina de Educação Visual, Maria Leonor Irra.
Qual a idade e forma como foram envolvidos os alunos?
Foram envolvidos cerca de 80 alunos (5 turmas), entre os 10 e 14 anos, na execução do projeto, de forma rotativa em todas as fases do mesmo, o que proporcionou momentos de grande entusiasmo, motivação e alegria. Tudo começou pela Proposta da docente Coordenadora da Ecoescolas e da docente da disciplina de Educação Visual, com a divulgação da atividade através do portal Eco escolas. A realização decorreu no âmbito das aulas de EV e foi dada a liberdade a cada aluno de desenhar/pintar o elemento da sua preferência.

