Escola EB 2,3 Dr. José Neves Júnior (Faro)
Parceiros:
O mural foi dinamizado pela coordenadora do Programa Eco-Escolas, Paula Pereira e a professora Anabela Silva, ambas professoras de Educação Visual e de Educação Tecnológicas e coordenadoras do Projeto ArtEmotion.
O projeto contou com o apoio da União de Freguesias de Faro, parceira da Escola Neves Júnior em diversas iniciativas, que financiou as tintas e outros materiais de pintura e acompanhou o desenvolvimento do trabalho, tendo manifestado grande apreço pelo resultado final. O impacto positivo da intervenção artística foi tal que a empresa “Águas do Algarve”, igualmente nosso parceiro Eco-Escolas, lançou o desafio para, no próximo ano letivo, a equipa realizar uma pintura mural num dos seus edifícios em Faro, proposta que constituiu uma enorme honra e reconhecimento para os alunos e docentes envolvidos. A Direção da Escola apoiou igualmente esta iniciativa, incentivando a concretização de um projeto que alia arte, ciência e cidadania ambiental.
Toda a conceção e execução do mural foi orientada pelas docentes responsáveis e dinamizada por 6 alunos do 7.º e 8.º anos, participantes no Projeto ArtEmotion, muitos dos quais membros ativos do Conselho Eco-Escolas.
Memória descritiva
Identificação do ecossistema e elementos do ecossistema presentes na pintura:
O mural representa uma pradaria de ervas marinhas da Ria Formosa, um dos ecossistemas subaquáticos mais importantes e valiosos do Algarve. As pradarias marinhas constituem verdadeiros berçários da biodiversidade marinha, fornecendo alimento, abrigo e locais de reprodução para inúmeras espécies. Além disso, desempenham um papel fundamental na captura de carbono, na produção de oxigénio e na proteção da linha costeira contra a erosão. A Ria Formosa alberga algumas das mais extensas pradarias marinhas de Portugal, sendo reconhecida internacionalmente pela sua riqueza ecológica e elevada biodiversidade.
No mural estão representadas, de forma criativa, diversas espécies características deste ecossistema:
• O Cavalo - marinho (Hippocampus guttulatus e Hippocampus hippocampus), uma das espécies mais emblemáticas da Ria Formosa e atualmente protegida devido ao acentuado declínio das suas populações. A sua representação assume um papel central na composição artística, surgindo em grande destaque para sensibilizar a comunidade para a necessidade da sua conservação;
• O Polvo - comum (Octopus vulgaris), espécie abundante e de grande importância ecológica e económica;
• A Dourada (Sparus aurata), peixe característico das águas costeiras e lagunares da região;
• O Sargo (Diplodus sargus), espécie frequente nos habitats marinhos da Ria Formosa;
• O Linguado (Solea solea), peixe associado aos fundos arenosos e lodosos da laguna;
• O Caranguejo - azul (Callinectes sapidus), espécie atualmente muito presente na Ria Formosa;
• A Medusa - compasso (Chrysaora hysoscella);
• A Medusa-da-lua (Aurelia aurita);
• A Estrela - do - mar - vermelha (Echinaster sepositus).
A vegetação dominante representada corresponde às ervas marinhas que formam extensas pradarias submersas e constituem a base deste ecossistema de elevado valor ecológico.
Qual a razão da escolha desta imagem?
A escolha das pradarias marinhas da Ria Formosa resultou da vontade dos alunos de dar visibilidade a um dos ecossistemas mais importantes e cuja valorização deve ser reforçada junto da comunidade educativa e da população em geral. Durante a fase de pesquisa, os alunos descobriram o papel essencial destas pradarias para a sobrevivência de inúmeras espécies marinhas e ficaram particularmente sensibilizados para a situação dos cavalos - marinhos, cujas populações sofreram um forte declínio nas últimas décadas. Através deste mural, pretendeu-se valorizar o património natural local, sensibilizar a comunidade escolar para a importância da preservação dos ecossistemas marinhos e promover uma reflexão sobre a necessidade de proteger a biodiversidade existente na Ria Formosa.
Qual o processo de trabalho/dinâmica/metodologia que conduziu à elaboração do mural:
O trabalho iniciou-se com uma fase de investigação sobre as pradarias marinhas da Ria Formosa e sobre as espécies que delas dependem. Os alunos realizaram pesquisas, analisaram imagens, vídeos e documentos científicos relacionados com este habitat, identificando as espécies mais representativas e o papel ecológico que desempenham.
Posteriormente, foram elaborados vários estudos gráficos, esboços e propostas de composição. Após discussão e seleção das ideias mais adequadas, foi desenvolvido o projeto final, elaborado pela aluna Ana Vatamaniuk, procurando conjugar rigor científico, impacto visual e qualidade artística.
A execução da pintura mural desenvolveu-se em várias etapas sequenciais: investigação, realização de esboços/projeto, preparação da superfície, transferência do desenho/projeto para a parede, aplicação das cores de fundo e pintura das diversas espécies, atendendo a pormenores e efeitos expressivos. Ao longo de todo o processo, os alunos trabalharam de forma colaborativa e responsável, assumindo um papel ativo em todas as fases do projeto. A metodologia adotada promoveu a aprendizagem ativa, o trabalho em equipa, a criatividade, a responsabilidade ambiental e o desenvolvimento de competências e aprendizagens nas áreas da Educação Visual, Ciências Naturais, Educação Ambiental e Cidadania.
Qual a idade e forma como foram envolvidos os alunos?
Participaram neste projeto 6 alunos do 7.º e 8.º anos de escolaridade, que amam a arte, com idades compreendidas entre os 13 e os 15 anos, integrados no Projeto ArtEmotion, que, à semelhança do ano anterior, demonstraram grande entusiasmo e expectativa pelo início do desafio. Ao longo da intervenção, outros alunos, tanto do 2.º como do 3.º ciclo, juntaram-se espontaneamente, deixando a sua marca num projeto que muito orgulha a comunidade escolar.
Os alunos estiveram envolvidos desde a fase inicial de investigação até à concretização final da pintura. Participaram na seleção do ecossistema, na pesquisa científica, na elaboração dos esboços, na definição da composição artística e na execução do mural.
Este envolvimento ativo permitiu desenvolver competências de investigação, observação, comunicação, expressão artística, cooperação e cidadania ambiental, reforçando simultaneamente o sentimento de pertença à escola e o compromisso com a preservação do património natural da região.
O resultado final transformou uma parede exterior do bloco do refeitório/bar/sala de alunos, com cerca de 4 m x 3,50 m, num recurso educativo permanente, contribuindo para sensibilizar toda a comunidade educativa para a importância da conservação da biodiversidade marinha e dos ecossistemas da Ria Formosa.

