Muros Com Vida | Trabalhos 2025/2026

2.º Jardim-Escola João de Deus (Coimbra)

Fotografias

Fotografias do processo/pintura:

Totalidade da pintura:

Resultado final da pintura no muro no Jardim-Escola.

Fotografias de detalhes:

Parceiros:
A Câmara Municipal de Coimbra contribuiu com a doação de tintas.

Memória descritiva

Identificação do ecossistema e elementos do ecossistema presentes na pintura:
Biodiversidade estudada (com enquadramento ecológico)
Fauna:
• Milhafre-preto – ave de rapina associada ao vale do Mondego, importante indicador de equilíbrio ecológico.
• Pato-real – ave comum ao longo do rio, facilmente observada pelos alunos.
• Pernilongo – ave ligada a zonas de salinas e estuários, como a Ilha da Morraceira.
• Garça-real – ave piscívora que depende de habitats aquáticos preservados.
• Guarda-rios – ave icónica das linhas de água, indicador de qualidade ambiental.
• Ruivaco – pequeno peixe de rios limpos, integrante da cadeia alimentar.
• Lontra – mamífero semiaquático, espécie bioindicadora da boa qualidade da água.
• Melro-d’água – ave capaz de nadar e mergulhar, associada a zonas de água corrente.
• Salamandra-lusitânica – anfíbio endémico e vulnerável, dependente de habitats pouco poluídos.
• Efémera – inseto de ciclo de vida curto, cuja observação originou reflexão sobre a intensidade do tempo e da vida.
Flora:
• Narciso-do-Mondego – espécie associada a habitats específicos do vale do Mondego.
• Salgueiro – árvore típica das margens fluviais.
• Junco – planta ribeirinha importante para estabilização das margens e habitat de fauna.
Outros elementos:
• Salinas e arrozais do Baixo Mondego – sistemas ecológicos e económicos fundamentais para a biodiversidade e identidade local.
• Figura humana - em figura de contemplação.
A composição final organiza, de forma harmoniosa, os principais elementos representativos do ecossistema do rio Mondego, refletindo as aprendizagens desenvolvidas ao longo do projeto. Representam-se o rio Mondego, em forma de “M”, as salinas e arrozais do Baixo Mondego, a fauna e flora estudadas, o sol e uma figura humana em atitude de contemplação. A frase Um rio é como uma casa integra a composição, reforçando esta ideia de pertença ao meio natural. Estes elementos articulam-se numa leitura visual que valoriza o rio como espaço de biodiversidade, equilíbrio e relação entre o ser humano e a Natureza.

Qual a razão da escolha desta imagem?
O projeto Um rio é como uma casa constituiu um percurso educativo integrado e interdisciplinar, articulando ciência, arte, literatura e experiência do território.
Através da exploração do rio Mondego, os alunos desenvolveram conhecimento ecológico, construíram interpretações simbólicas e expressaram artisticamente as suas aprendizagens.
Mais do que uma intervenção artística, o projeto representou um processo de aprendizagem significativa, promovendo a consciência ambiental, o sentido de pertença e a valorização do património natural e cultural. Ao longo deste percurso, o rio revelou-se também como um lugar de memórias e vivências, reforçando a ligação afetiva dos alunos ao território e às histórias que nele se inscrevem.

Qual o processo de trabalho/dinâmica/metodologia que conduziu à elaboração do mural:
O projeto “Um rio é como uma casa” foi desenvolvido no âmbito do Programa Eco-Escolas, integrando uma abordagem interdisciplinar centrada na educação ambiental, na literacia ecológica e na valorização do património natural.
O ponto de partida surgiu da leitura do livro “Por exemplo, uma rosa”, onde se reflete sobre a ideia de que existem “coisas que vão e vêm e coisas que vêm e vão”. Esta noção de ciclo, transformação e movimento constituiu a base conceptual para a compreensão do rio enquanto sistema vivo em constante mudança.
Em paralelo, a realização da Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, com os verbos “Segurar, Dar e Receber”, contribuiu para uma leitura artística e relacional do território, influenciando a forma como as crianças interpretaram o rio e o seu significado.
A escolha do tema foi ainda marcada pela vivência real do território, nomeadamente os episódios recentes de cheias do rio Mondego, que reforçaram a perceção da sua força, dinamismo e impacto no espaço urbano e natural.
Desta articulação entre literatura, arte contemporânea e experiência vivida emergiu a compreensão do rio Mondego como ecossistema, mas também como espaço simbólico, cultural e identitário.
OBJETIVOS
• Promover o conhecimento do ecossistema do rio Mondego;
• Desenvolver literacia ambiental e consciência ecológica;
• Sensibilizar para a preservação da biodiversidade;
• Estimular investigação, observação e pensamento crítico;
• Desenvolver competências artísticas;
• Promover trabalho colaborativo;
• Envolver famílias e comunidade educativa;
• Valorizar o espaço escolar através de intervenção artística.
METODOLOGIA – CONHECER, INTERPRETAR E CRIAR
CONHECER – Investigação do ecossistema
As crianças requisitaram algumas enciclopédias na biblioteca escolar e visualizaram um documentário sobre o rio Mondego, o que permitiu um primeiro contacto com o ecossistema.
Seguiu-se a exploração da definição de “rio” e da etimologia de “Mondego”, bem como a construção de um guião orientado pelas questões:
• Quem és tu?
• O que nos dizes tu?
• Quem vive em ti?
Os 21 alunos realizaram ainda investigações com as famílias através da observação direta do rio e apresentaram-nas posteriormente à turma. Os registos foram sendo feitos de forma coletiva.
Foi integrada a participação na atividade cultural “Peça para Rios” (Companhia Marionet), onde alguns alunos estiveram presentes.Foi integrada a participação na atividade cultural “Peça para Rios” (Companhia Marionet), onde alguns alunos estiveram presentes.
INTERPRETAR – Construção de significado
O rio foi interpretado como espaço de memória, ligação, família, transformação e renovação. Esta leitura permitiu integrar dimensões científicas, simbólicas e afetivas, reforçando a compreensão do ecossistema como sistema vivo e dinâmico.

Qual a idade e forma como foram envolvidos os alunos?
Turma do 3.º Ano C do 2.º Jardim-Escola João de Deus de Coimbra, com idades compreendidas entre 8 e 9 anos. Os alunos foram envolvidos no processo de pesquisa, na elaboração das ilustrações, realizaram colagens com papel de lustro, representando os elementos estudados. Posteriormente, foi definida coletivamente a composição do mural. Por fim, fizeram a transposição do desenho para o suporte, que foi realizada com recurso à técnica da esquadria, adequada à faixa etária dos alunos, permitindo a ampliação proporcional da composição e a participação autónoma dos alunos na sua execução. O mural foi concebido para um suporte de 390 cm × 110 cm. O mural foi realizado pelos 21 alunos da turma, sob coordenação da Professora Titular Marta Martins e da Professora de Artes Visuais Linda Pessoa.